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Leite: produtor teve perda de receita de 13,35% em 2006/cepea

08/01 - 14:05 - Agência Safras

SAFRAS (08) - Balanço do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada-CEPEA, da Esalq-USP, mostra que os preços do leite pagos aos produtores durante o segundo semestre de 2006 apresentaram forte e atípica estabilidade, sendo que não tinham subido em meados do ano, como era de se esperar. O motivo da pouca força dos preços, explicam pesquisadores, foi a combinação de demanda interna relativamente estável, elevação pequena da produção de leite no Brasil, mas aumento das importações no balanço do ano, favorecidas pelo câmbio.

Apesar de exportadores brasileiros terem aumentado em 15,5% as vendas de lácteos, entraram no País 26,5% a mais que no ano anterior até novembro. Esse saldo negativo ocorre após dois anos de resultado positivo da balança comercial láctea. Quanto à produção brasileira, o Indice de Captação de Leite (ICAP-L/Cepea) mostra que o aumento foi de apenas 1,52% de janeiro a novembro de 2006 se comparado ao mesmo período de 2005. Por conta dessas forças, os preços do leite pagos ao produtor seguiram estáveis desde maio de 2006, na casa dos R$ 0,50/litro valor bruto, considerando-se a média dos sete estados abrangidos pela pesquisa do Cepea. Descontando-se a inflação medida pelo IPCA (Indice de Preços ao Consumidor Amplo), o preço médio de 2006 esteve bem abaixo do valor médio de 2005 reconheça-se, 2005 foi um ano de preços bem acima da média histórica no primeiro semestre. Cálculos do Cepea indicam que um produtor que manteve sua produção de um ano para o outro teve uma perda de receita da ordem de 13,35%. Ou seja, para que ele mantivesse a mesma renda, seria preciso um aumento de produção de aproximadamente 16%. De acordo com levantamentos do Cepea, para o estado de São Paulo maior centro consumidor do País, alguns derivados, como queijos prato e mussarela, chegaram a ter aumentos de preços no atacado no segundo semestre, mas logo perderam força e encerram o ano em patamares semelhantes aos do início. Já outros produtos, como a manteiga e o leite em pó integral, tiveram preços estáveis no período. No mercado internacional, os preços de lácteos estiveram relativamente altos, mas o câmbio, com a média anual em torno de R$ 2,17/US$, não só atrapalhou o desempenho das vendas brasileiras como favoreceu, em larga escala, as importações. De janeiro a novembro de 2006, o saldo da balança comercial de lácteos foi de US$ 10,9 milhões negativos, enquanto que no mesmo período de 2005, foi positivo em quase US$ 1 milhão. Nesse cenário, a Argentina, concorrente do Brasil neste mercado, é quem levou vantagem, tendo em vista que a taxa de câmbio daquele país estava mais favorável. Em 2007, o cenário para o Brasil pode não sofrer grandes alterações uma vez que a previsão do câmbio para este ano está próxima de R$ 2,25/US$. Enquanto o PIB brasileiro deve crescer aproximadamente 3% neste ano, percentual semelhante ao de 2006, o avanço da economia mundial e o do comércio internacional estão estimados, respectivamente, em torno de 10% e 4%. Desta forma pode-se esperar que haja um aumento mais expressivo da demanda externa que da interna no mercado de lácteos, avaliam técnicos do CEPEA/Esalq.

(VA)




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