SAFRAS (22) - O status de prioridade conferido pelo Governo do Estado a
projetos direcionados a estimular as vocações regionais e a promover, de forma
conjunta, o desenvolvimento regional nos aspectos econômicos, sociais e
ambientais fez com que a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro)
triplicasse suas pesquisas nos últimos quatro anos.
Atualmente, 249 projetos - que priorizam seis linhas de pesquisa: sanidade
animal, recursos genéticos e produção de grãos, produção animal, aqüicultura e
pesca, recursos naturais e qualidade ambiental e sistemas de produção de frutas
e hortaliças - estão em andamento, contra 69 em janeiro de 2003.
"O resultado é conseqüência da revitalização da instituição de 87 anos, da
qualificação dos técnicos e da formulação de parcerias", informa a secretária
da Ciência e Tecnologia, Renita Dametto. Esse avanço significativo resulta de
medidas como a renovação dos laboratórios do Instituto de Pesquisas Veterinárias
Desidério Finamor, em Eldorado do Sul, proporcionado pelo Programa de
Modernização.
No local, especialistas da área de sanidade animal da Fepagro estudam
mecanismos de regulação e multiplicação de vírus, e a elaboração de
imunobiológicos que permitam diferenciar animais doentes e vacinados. O trabalho
da Fundação com recursos genéticos e produção de grãos envolve melhoramento de
variedades de milho, trigo, sorgo, feijão e azevém. Outro destaque, o estudo de
distintas bactérias para a fixação do nitrogênio no solo, inclusive na cultura
do arroz.
Os programas de produção animal, aqüicultura e pesca mantêm ações voltadas
ao manejo e controle do capim annoni, alternativas para o pecuarista familiar,
estudos sobre a produtividade do campo nativo e, ainda, o manejo em tanques de
espécies de peixes nativos. Na área de recursos naturais e qualidade ambiental,
a Fepagro avalia os diferentes substratos (nutrientes) para a produção de mudas
nativas e exóticas de árvores, a determinação do zoneamento agroclimático para
as diferentes culturas e o manejo florestal.
A instituição desenvolve o melhoramento de fruteiras de clima temperado,
incluindo-se citros sem sementes, alternativas para a produção vegetal 'in
vitro', sistemas de cultivo em ambiente protegido, segurança alimentar e
estudos com plantas medicinais, aromáticas e ornamentais.
A diretriz de modernização viabilizou a criação da cantina-escola na
Fepagro Agroindústria, em Caxias do Sul, na qual os pequenos produtores têm
acesso a cursos básicos sobre enologia e vitivinicultura, com vistas a melhorar
a qualidade do produto colonial. O investimento de R$ 110 mil foi aplicado em
nove tanques de aço inox para armazenamento do vinho, uma esmagadora, uma prensa
hidráulica e uma enchedora de garrafas. O espaço foi divididos em três
ambientes: um destinado ao recebimento da uva e esmagamento (lagar), outro para
a conservação e o terceiro para o engarrafamento e rotulagem.
Ainda foram concluídas as obras do Centro de Formação da Fepagro Serra, na
cidade de Veranópolis, novo pólo de difusão de técnicas para qualificar a
produção da agricultura familiar, e a unidade de Santa Maria - Fepagro Florestas
- instalou um laboratório de clonagem de mudas de árvores nativas. Ainda foram
renovadas as estruturas das unidades de Júlio de Castilhos (Fepagro Sementes) e
Vacaria (Fepagro Nordeste), e foi reaberto o Laboratório de Sanidade Animal da
Fepagro Noroeste e Missões, em Ijuí.
A Fepagro Fruticultura, em Taquari, inaugurou uma unidade de agroprocesso
projetada para reproduzir o ambiente de uma pequena propriedade na qual são
adotadas técnicas de industrialização. Em Livramento, foi construído um prédio
para abrigar a realização de cursos de capacitação de artesanato com lãs
naturalmente coloridas.
A Fepagro também instituiu o Programa de Apoio à Pesquisa Institucional
(Proapi), responsável pela ampliação da produção científica. O resultado foi a
aprovação de 21 projetos, num investimento de R$ 100 mil, envolvendo áreas como
melhoramento genético, sanidade animal e vegetal e desenvolvimento florestal.
Pesquisadores da instituição lideram as ações de pesquisa para a produção de
agroenergia do Estado. O grupo, formado por 21 entidades, entre universidades,
centros de pesquisa, cooperativas e associações. A equipe definiu cinco culturas
estratégicas para o desenvolvimento de estudos gaúchos nos próximos anos:
mamona, canola, girassol, mandioca e cana-de-açúcar.
Outro fator que contribuiu para a expressiva demanda na agropecuária foi o
aumento de parcerias com prefeituras, universidades, organizações
não-governamentais (ONGs), além de instituições públicas como Fundação Estadual
de Proteção Ambiental (Fepam), Fundação Zoobotânica e Fundação de Ciência e
Tecnologia (Cientec), envolvendo ações de pesquisa transdisciplinares e
treinamento de recursos humanos. A atuação dos pesquisadores nos Conselhos
Regionais de Desenvolvimento (Coredes) também ajudou a impulsionar o trabalho,
com a inclusão de ações de pesquisa que atendem às demandas regionais.
A necessidade de garantia de mercado para os produtores rurais é um aspecto
importante invocado pelo presidente da Fepagro, Marcos Palombini, para quem o
Estado vai registrar um crescimento efetivo quando conseguir agregar qualidade,
quantidade e continuidade de fornecimento de produtos agrícolas. "Nesse ponto a
pesquisa também é essencial, pois precisamos desenvolver técnicas de armazenagem
mais sofisticadas", afirma. Com informações do Governo do Estado do Rio Grande
do Sul. (AB)