Londres - A recuperação do turismo aos níveis anteriores à crise econômica internacional não chegará antes de 2013 e ocorrerá pela força do crescimento dos países emergentes, um cenário que mudará profundamente as dinâmicas do setor no futuro.
Esta é a principal conclusão do relatório sobre tendências globais apresentado no primeiro dia do World Travel Market (WTM), a feira internacional de turismo de Londres, que durante quatro dias permitirá aos Governos e empresas trocar opiniões sobre as condições da indústria, duramente atingida pela crise.
Elaborado conjuntamente pelo WTM e a empresa de consultoria Euromonitor International, o relatório destaca o forte impacto da recessão em 2009, que provocou uma queda de 8% de turistas, 16% na ocupação dos hotéis e de 14% na venda de bilhetes aéreos.
O estudo indica que a situação "passou de boa para uma ruptura em menos de um ano", devido à queda dos gastos, a dificuldade de acesso ao crédito e o aumento do desemprego, "abalando a confiança e a demanda".
Soma-se a isso, o medo de viajar por causa da pela gripe A, que em países como o México, um dos principais mercados turísticos latino-americanos, reduziu à metade a presença de visitantes.
O efeito foi devastador no setor da aviação comercial, devido à volatilidade do preço do petróleo, com perdas estimadas, segundo os números da Associação de Transporte Aéreo Internacional (Iata, na sigla em inglês), em US$ 11 bilhões em 2009.
Por causa da crise, os consumidores responderam com uma redução de despesas superficiais, embora Euromonitor International tenha chamado a atenção para uma tendência, principalmente dos turistas asiáticos, de renunciar aos prazeres como os balneários e as férias.
A crise também gerou o ressurgimento de experiências esquecidas no passado, como a de passar férias perto de casa e inovações como o "glamping", um novo conceito de alojamento que poderia ser definido como "camping com glamour", situados em regiões de alto potencial paisagístico.
É o momento ideal para ir atrás daquela oportunidade imperdível na internet, que pode reduzir o preço das férias em 50%. É o momento também das "nano-escapadas", férias de curta duração.
Outro segmento que afrontou a crise como uma oportunidade é o dos "pacotes fechados", uma fórmula pela qual optam os consumidores que querem saber de antemão quanto vão pagar e buscam segurança, declarou Caroline Bremner, uma das responsáveis do estudo de Euromonitor.
O mesmo ocorreu com as compras online, que aumentaram no último ano 4%, em um contexto da queda generalizada de 1% na venda a varejo.
Por áreas geográficas, o relatório destaca que a América Latina - a região menos atingida pela crise - está deixando de ser um destino barato e se está passando a um "destino de luxo".
Outra parte do estudo traz as estimativas do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). No futuro, a empresa brasileira quer que os turistas em visitas ao Brasil gastem em média de US$ 20 mil dólares cada um, bem longe dos atuais US$ 2,5 mil.
Outras tendências aparecem em países como os Estados Unidos, onde surgiu um mercado na população "sem muito dinheiro, mas com bastante tempo livre", que emprega o dinheiro de seu subsídio do desemprego para financiar férias.
Na Europa Ocidental, a novidade serão as férias com um serviço personalizado, os pacotes que buscam diferenciar-se oferecendo um valor agregado, no qual os viajantes recebem ajuda personalizada para assistir a concertos e outros atos culturais em suas viagens.
Do Oriente Médio, surge o turismo com alojamento "só para mulheres", com o objetivo de sortear as ferrenhas normas islâmicas que impedem a uma cidadã viajar sem o acompanhamento de um homem, com a criação de hotéis atendidos em 100% por mulheres e que só aceita mulheres como hóspedes.
África será beneficiária pelo "efeito Obama", que disparou o "turismo de raízes, o turismo à procura do DNA", até o ponto que as companhias americanas especializadas no tráfego aéreo entre os Estados Unidos e a África viram crescer seu volume de negócio em 33% entre janeiro e maio de 2009.
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