Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) tradicionais têm perdido espaço para opções mais inovadoras. Em busca de melhor rentabilidade, os investidores vêm optando por títulos cujas taxas de juros aumentam com o tempo, os CDBs escalonados.
No segundo semestre, o estoque desses papéis subiu 46% até o dia 5 de novembro. O volume de CDBs pós-fixados, por outro lado, recuou 6% no mesmo período.
A taxa oferecida foi o fator-chave para a decisão de investimento do estudante de engenharia Felipe Nascimento. "Há um ano e meio, resolvi procurar uma aplicação para trocar de carro no fim de 2010. Num CDB pós-fixado normal, me ofereceram 90% do CDI. No escalonado, posso chegar a 98% do CDI ao final do período", diz o investidor.
Os CDBs escalonados têm vencimento em três ou quatro anos e a taxa oferecida evolui a cada seis meses. "É uma alternativa interessante em renda fixa porque dá um prêmio ao investidor de longo prazo", diz o professor de finanças do Insper Liao Yu Chieh.
Se para os clientes a opção escalonada é vantajosa por oferecer rentabilidade crescente, para os bancos é interessante pela previsibilidade de caixa. "Na maioria dos casos, o cliente espera até o final para obter maior retorno. E a tesouraria do banco consegue planejar melhor seus empréstimos", explica o gerente-executivo da diretoria de varejo do Banco do Brasil, Antonio Cássio Segura.
Apesar da taxa crescente, o CDB escalonado não é indicado para todos os investidores. "No curto prazo, o pós-fixado pode levar vantagem em relação ao escalonado, dependendo do relacionamento do cliente com o banco", diz o diretor da área de investimentos do Bradesco, Marcos Villanova.
Outro cuidado que deve ser tomado é o de observar se o CDB escalonado é retroativo - ou seja, se os recursos serão corrigidos pela taxa integral para o período completo da aplicação. Nos CDBs que não são retroativos, a maior taxa de juros do escalonamento costuma ser aplicada apenas nos seis meses finais do período de investimento.
