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Boi: credores aprovam plano de recuperação do Independência

06/11 - 10:27 - Agência Estado

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São Paulo, 6 - Os credores do Frigorífico Independência votaram e aprovaram, ontem à noite, em assembleia, o plano de recuperação judicial da empresa. A proposta foi aceita individualmente por 98,64% dos credores, o que equivale a 70,87% da dívida total da empresa, que estava em votação.

Poucos ajustes foram feitos em relação à proposta apresentada pela empresa no último dia 30, apesar de os bancos terem defendido alguns ajustes que eram considerados importantes, mas que a empresa não abria mão.

Os bancos queriam que os bônus de subscrição fossem emitidos imediatamente após a aprovação do plano, o que permitiria que esses títulos fossem negociados no mercado. Além disso, as instituições financeiras queriam que esses bônus fossem convertidos em ação mesmo que a empresa não fossem vendida, o que transformaria os detentores desses papéis sócios do Independência. As duas alterações foram recusadas pela empresa e mantida a proposta original, ou seja, esses bônus serão emitidos apenas no caso da venda da empresa e garantirá a transferência de 50% do valor recebido pelos acionistas na eventual troca de controle para os donos desses títulos.

Outro pedido dos bancos era que fossem retiradas do plano de recuperação duas cláusulas. A primeira trata da suspensão das execuções dos acionistas, enquanto a segunda discorre sobre a liberação das garantias dadas pelos acionistas em algumas negociações, após o cumprimento do plano. A empresa também se recusou a retirar as cláusulas, que foram mantidas no plano final, por serem consideradas "padrão" em processos de recuperação judicial.

Exatamente por causa da manutenção dessas cláusulas, importantes bancos votaram contra a aprovação do plano. Instituições como Banco Votorantim, Banif, HSBC, Moneda, Global Investment, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, entre outros, se posicionaram contrários à proposta apresentada pela empresa. Se abstiveram da votação o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, Banco ABC, Alpha e o Bank of New York. Esse último chamou a atenção por se tratar do representante dos detentores de bonds do Independência emitidos no exterior e acabou alterando a base de cálculo na votação. "A abstenção do Bank of New York não é totalmente uma surpresa, já que nesse caso é muito difícil conseguir contato com os donos dos bonds, que estão pulverizados no mercado. Nessas situações o banco se abstém de votar para não assumir essa responsabilidade", disse Luiz Fernando Paiva, advogado do Independência.

Mesmo com as abstenções e os votos contrários, grupos importantes como Bradesco, Goldman, Itaú, Unibanco, JP Morgan e Citi decidiram votar a favor do plano e tiveram um peso importante na decisão. A maioria dos bancos, no entanto, aprovou a proposta de recuperação, mas com ressalvas, especialmente em relação às duas cláusulas de execução e liberação das garantias. Na prática, isso significa que as empresas garantiram o direito de questionar judicialmente o plano no futuro, quando poderá ser analisado se o plano aprovado se aplica a cada um dos bancos que se manifestaram favoráveis, porém, com ressalvas.

Os pecuaristas optaram por aprovar a proposta da empresa. O Independência pagará até o fim de março de 2010 uma parcela de R$ 100 mil para cada pecuarista. Para aqueles que ainda tiverem saldo receberão o valor em, no máximo, 24 parcelas. Em caso de venda da empresa, no entanto, o parcelamento máximo será reduzido para 18 prestações.




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