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Artigo: Congonhas e os nossos aeroportos merecem mais

06/11 - 12:02 - Agência Estado

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A capacidade do Aeroporto de Congonhas, segundo informada pelo Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) em junho de 2007, era de 9.500 passageiros por hora (ou seja, atenderia, com folga, mais de 20 milhões de passageiros/ano) e de 48 movimentos (aterragens e/ou decolagens) por hora.

Depois do acidente ali ocorrido em 17 de julho, o CGNA passou a informar apenas a capacidade da pista, que foi reduzida para 30 movimentos por hora. Vale a pena lembrar que, já em 1980, Congonhas operou 55 movimentos por hora, o que torna difícil entender como, nesses 30 anos, quando ocorreram melhorias tecnológicas significativas, reduziu-se em quase a metade a capacidade desse equipamento social, que já foi o aeroporto mais importante, e movimentado, do Brasil.

Quanto ao controle de tráfego aéreo, um dos pontos menos comentados é o fato de já termos enfrentado demandas consideravelmente superiores à atual no espaço à volta dos nossos aeroportos - nas chamadas áreas terminais. Nessas áreas, onde há uma grande concentração de aviões e onde o controle exige mais cuidado, dados do período 1998-2002 disponibilizados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) indicam que a demanda na área terminal de São Paulo, e em várias outras, foi maior do que a observada em 2006, chegando a ultrapassá-la em 30%. Nem por isso houve, à época, nenhum tipo de crise.

Depois do acidente, questionou-se a segurança do aeroporto, em função do que foram consideradas ampliações que criariam as chamadas Resa (áreas de segurança de final de pista, na sigla em inglês). Para isso, haveria necessidade de desapropriações de 400 imóveis, além de uma obra significativa, em termos de custo, para não falar de outras considerações abordadas por especialistas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Logo após o acidente, o presidente Lula ouviu alguns especialistas em aviação, um dos quais, em 25 de julho de 2007 e na presença do ministro Jobim (que tomaria posse duas horas depois), sugeriu-lhe reduzir os comprimentos homologados das pistas, o que, sem necessidade de obras, reduziria os pesos dos aviões e aumentaria diretamente a segurança operacional com a criação das Resas. Aparentemente isso foi feito, uma vez que foi alegado que a redução da capacidade das pistas decorria do comprimento reduzido que passou a ter a pista auxiliar de Congonhas.

Agora, parece ser intenção do governo federal acabar com os hangares que margeiam a Avenida dos Bandeirantes, deslocando seus usuários para a área que estava sendo ocupada pela Vasp, o que permitiria aumentar a pista auxiliar, tornando-a a principal, e tornando a principal, auxiliar, criando áreas laterais de segurança. Essas áreas laterais já existem e respeitam as determinações dos órgãos nacional (Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac) e internacionais (Organização de Aviação Civil Internacional, a Icao, na sigla em inglês), pois de outra forma Congonhas não estaria homologado, e, portanto, operando.

É óbvio que o aumento da atual pista auxiliar amplia o leque de aeronaves que ela atende, e, portanto, pode melhorar a capacidade de Congonhas no atendimento de sua demanda. Além disso, é também óbvio que essa ampliação cria alternativas operacionais em caso de ser necessário fechar uma pista, seja por acidente ou por manutenção.

No entanto, todas essas informações e planos, que têm mudado ao longo desses mais de dois anos, apontam para uma falta de foco do governo federal, mas apontam também para uma falta de participação dos governos estadual e municipal, interessados imediatos nesses problemas.

Profissionais de transporte aéreo, nacionais e internacionais, estão reunidos há três dias em São Paulo no 8º Simpósio de Transporte Aéreo (Sitraer) e no segundo encontro da Rede Ibero-americana de Investigação em Transporte Aéreo (Ridita) e abordaram temas importantes. Do simpósio participaram especialistas do Estado de São Paulo, incluindo integrantes da USP e do ITA. Eles não têm sido convidados a participar dessas questões que tanto nos afetam. É falta de interesse ou de foco de nossos governos?




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