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Álcool é mais vantajoso em 16 Estados e no Distrito Federal; saiba como economizar

06/11 - 17:23 - Juliana Kirihata, iG São Paulo

Abastecer com álcool ou gasolina tem sido uma dúvida recorrente entre os donos de carros bicombustíveis, nos últimos meses. Só em outubro, os motoristas que utilizam o etanol tiveram de arcar com o aumento médio de 4,5% no preço do litro do combustível, segundo levantamento do Ticket Car, produto de gestão de despesas de veículos. Em São Paulo, o preço do etanol disparou e atingiu o maior nível desde 2006 no Estado: R$ 1,501, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

AE
Consumidor deve ficar atento no posto
Apesar da alta, o derivado da cana-de-açúcar ainda apresenta o melhor custo-benefício em 16 Estados (Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e Tocantins) e no Distrito Federal. Segundo especialistas, quem tem carro bicombustível deve ficar atento às oscilações de preço na hora de abastecer para não ter prejuízo ou correr o risco de encher o tanque com combustível adulterado.

De acordo com o professor da Unicamp Ennio Peres da Silva, especialista em Física e Engenharia Mecânica, o preço não é o único fator a ser considerado para fazer a escolha no posto. "O importante é saber que um litro de álcool tem 65% da energia contida em um litro de gasolina", diz. Assim, para saber qual combustível vale mais a pena economicamente, multiplica-se o preço da gasolina por 0,65. Por exemplo, se o preço da gasolina estiver em R$ 2,49 no posto, deve-se multiplicar o valor por 0,65, que dará R$ 1,62.

“Se o resultado for maior do que o valor do álcool, quer dizer que este está mais barato”, afirma Silva. “Se for menor, é melhor colocar gasolina.”

Caso os preços sejam equivalentes, o consumidor pode avaliar outros fatores para tomar sua decisão. "A gasolina tem maior poder lubrificante, mas no verão isso não faz diferença, porque o carro já está aquecido”, diz Silva. “Já o álcool é mais interessante ambientalmente falando, já que não emite gases de efeito estufa. Cada um pode usar seus critérios de seleção.”

Para Silva, também é preciso tomar cuidado com os preços muito baixos. "Na safra é normal o preço barato”, diz ele. “Na entressafra não, vale a pena desconfiar". Segundo Silva, quem abastece com etanol deve ter atenção redobrada, já que é mais fácil adulterar esse combustível, que pode ter água misturada na composição.

Safra e entressafra

Mirian Bacchi, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP, explica que, como é produto agrícola, o etanol sofre influência de fatores como o clima. "No período de produção, há maior competição e os preços normalmente caem na safra”, diz. “Na entressafra, espera-se que os preços sejam maiores

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Produção interfere no preço do etanol 
porque incluem os custos de armazenamento".

De acordo com Bacchi, as chuvas que atrapalharam a colheita e a falta de crédito para as usinas contribuíram para o aumento dos preços dos últimos meses. Apesar da alta, a pesquisadora destaca que os proprietários dos carros a álcool e bicombustíveis ainda são beneficiados. "Mesmo com a oscilação de agosto a outubro, neste ano-safra, a média dos preços em termos reais é uma das menores dos anos-safra desta década".

Bacchi afirma ainda que os consumidores podem influenciar no estabelecimento dos preços do etanol. "Se optam pela gasolina o preço diminui e essas oscilações tendem a minimizar", diz ela.

Economia após abastecer

Tanto para quem escolhe álcool como para quem prefere a gasolina, algumas dicas podem ajudar a economizar combustível.

Segundo José Roberto de Campos, chefe da divisão de motores e veículos do centro de pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia, utilizar menos o ar condicionado, por exemplo, é uma das atitudes recomendadas para poupar energia e dinheiro. Ligar o ar condicionado com as janelas semiabertas também não é indicado. "Qualquer equipamento elétrico consome mais combustível", afirma.

Deixar os pneus na pressão indicada no manual do veículo, além de fazer a manutenção preventiva, é essencial para evitar desperdícios. No semáforo ou nos congestionamentos, não vale a pena desligar o carro, a não ser que o veículo vá ficar parado por mais de dois minutos.

Campos aponta ainda que é melhor utilizar a marcha mais alta possível, com rotação de até 2,5 mil giros. "Claro que você não vai ter tanta agilidade, mas normalmente quanto menor a rotação do motor, maior a economia".

A impaciência no trânsito, de acordo com Campos, é também vilã da economia. Acelerar muito faz com que os freios sejam mais utilizados, o que provoca maior gasto de energia. "É preciso manter o acelerador mais constante possível", aconselha.

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