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04/11 -
16:38
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Sheila Machado, do iG (Brasília)
O crescimento da economia dos Estados Unidos em 3,5% no terceiro trimestre, depois de quatro trimestres consecutivos de encolhimento, traz um pouco de alívio à reunião do G-20, nesta sexta-feira e sábado, em Saint Andrews, na Escócia. No entanto, as autoridades financeiras dos países emergentes, principalmente o Brasil, devem continuar pressionando por redução de barreiras comerciais e regulação do mercado como forma de aplacar a crise mundial, apostam economistas.
"Os índices podem variar um pouco, mas Brasil, China, Índia e Rússia vão manter suas trajetórias econômicas e galgar posições destacadas no impulso à economia mundial", afirma José Matias-Pereira, especialista em Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB). "As vozes destes governos continurão a ser ouvidas, na cúpula do G-20 e no futuro. A força econômica se traduz em força política."
Na Inglaterra, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que pretende discutir maneiras de combater bolhas de ativos, durante a reunião na Escócia. A fragilidade do sistema financeiro mundial, principalmente o americano, está na gênese da atual crise. A bolha estourada no ano passado foi a imobiliária, mas a preocupação que se mantém, segundo economistas, é com a especulação exagerada no mercado de ações, que pode formar outras armadilhas num momento no qual as economias das potências ainda não estão recuperadas.
"Esta é uma questão bastante sensível", diz Matias-Pereira. "Será discutida não apenas na Escócia, mas nas próximas reuniões do G-20."
Renato Galvão Flôres Junior, economista da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro, acrescenta que a intenção de Meirelles será fazer um alerta contra um otimismo precoce, exagerado com o resultado positivo dos EUA no terceiro trimestre.
"A euforia pode levar a uma nova formação de bolhas no mercado, desta vez no mercado financeiro, o que é perigoso inclusive para o Brasil", diz Flôres Junior. "Apesar de termos nos saído bem durante a atual crise, num mundo globalizado dependemos das outras nações. Se nossos parceiros ficarem mal, isso nos afetará."
No último encontro do G-20, em setembro, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, o presidente Lula foi ovacionado ao criticar o protecionismo. Em Saint Andrews, os principais representantes do Brasil serão Meirelles e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Eles também deverão debater sobre as barreiras comerciais.
"Mais uma vez as autoridades financeiras das grandes potências vão concordar que o protecionismo não deveria existir, mas vão manter tal política ao voltarem para seus países", afirma Flôres Junior. "Isso porque a situação em casa ainda é ruim, tanto para os Estados Unidos quanto para a Europa. O Leste Europeu, por exemplo, terá crescimento negativo de 6% este ano, segundo estimativas."
Estados Unidos
O próprio governo de Barack Obama - representado em Saint Andrews pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke - não fará festa com o bom resultado do terceiro trimestre. O presidente democrata já deixou claro que os dados não são suficientes para serem considerados uma saída da crise. E se mantém a preocupação com o crescimento do déficit público e o nível de desemprego nos Estados Unidos.
A principal meta das autoridades financeiras nos dois dias de reunião na Escócia será planejar um processo de revisão para buscar que suas políticas econômicas evitem desequilíbrios de comércio e orçamento que no ano passado causaram o aprofundamento da crise. Além disso, vão estabelecer quais tipos de dados econômicos cada país vai submeter à revisão do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Leia mais sobre o G20 em Saint-Andrews http://colunistas.ig.com.br/guilhermebarros/tag/g20/
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