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Ações brasileiras mais negociadas na Bolsa de Nova York superam patamar pré-crise

01/11 - 10:49 - Klinger Portella, iG São Paulo

SÃO PAULO - Depois das fortes perdas provocadas pela crise financeira, Petrobras e Vale do Rio Doce, as empresas brasileiras cujas ações são as mais negociadas na Bolsa de Nova York, superaram os patamares pré-crise em valor de mercado. O mesmo, no entanto, não aconteceu com a maior parte das companhias americanas com volumes de negociação similar.

Levantamento realizado pela consultoria Economatica, a pedido do Último Segundo, constatou que a Petrobras teve alta de 114% em valor de mercado no acumulado de 2009 (até o fechamento do último dia 26 de outubro), o que colocou a estatal no posto da terceira maior empresa das Américas, avaliada em US$ 205 bilhões. Antes da crise, a Petrobras ocupava a décima posição.

A retomada percentual das ações da Petrobras foi superada apenas pelos papéis da Apple, cujo valor de mercado cresceu 139% no ano, e pela Vale, valorizada em 131%, atingindo US$ 135 bilhões em valor de mercado. A Vale, por sinal, figura na 16ª posição entre as maiores companhias americanas, superando gigantes como Wells Fargo (18º), Coca-Cola (19ª) e Pfizer (20ª).

Segundo especialistas consultados pelo Último Segundo, o desempenho das companhias brasileiras pode ser explicado por fatores estruturais e conjunturais. “Petrobras e Vale tiveram uma queda bastante forte no ano passado”, diz André Perfeito, economista da Gradual Corretora. "No auge da crise, os investidores liquidaram as posições nos países emergentes de forma violenta e isso jogou para baixo o valor de mercado das empresas."

É o que especialistas e as próprias empresas alertavam: as cotações das ações atingiram patamares tão baixos que o valor de mercado das empresas muitas vezes era menor do que seu patrimônio. Retomadas condições mais estáveis, a tendência só poderia ser de alta. Em 15 de setembro de 2008 –, data que marca o início do agravamento da crise mundial – a Petrobras valia US$ 163 bilhões e a Vale, US$ 107 bilhões. Em 31 de dezembro do mesmo ano, os valores caíram para US$ 96 bilhões e US$ 58 bilhões, respectivamente.

Semana passada, o colunista Guilherme Barros revelou que a Vale havia passado a Petrobras em valor de mercado na Bolsa de Nova York e se tornara a ação de maior liquidez da América Latina.

Apreciação cambial

A retomada pós-crise, no entanto, não foi o único fator na valorização dos papéis das empresas brasileiras. “Há também o fato de a apreciação cambial ter sido muito forte no país, o que eleva o valor das empresas brasileiras”, diz Perfeito. "Em dólares, a Bovespa tem ganhos na casa dos 120% no ano. Nenhuma outra bolsa teve desempenho parecido."

Fatores conjunturais também ajudam a explicar o bom momento de Petrobras e Vale entre as gigantes do mercado. “O Brasil mudou de patamar com investment grade, Copa do Mundo, Olimpíada...", afirma Perfeito. "Há um conjunto de notícias que ajuda a valorizar as empresas, sem falar na situação macroeconômica, que leva a uma valorização do país como um todo.” 

Isso ajuda a explicar porquê a Petrobras teve desempenho superior, na valorização de suas ações, à concorrente Exxon Mobil, a maior empresa em valor de mercado das Américas, de US$ 352 bilhões. Apesar de se manter no topo da lista, a companhia americana ainda não recuperou o valor pré-crise, quando valia US$ 380 bilhões (em 15 de setembro). Das 20 maiores empresas das Américas, dez delas recuperaram – ou superaram – o valor de mercado de 15 de setembro. Duas delas - Vale e Petrobras - são brasileiras.

“Antes da crise, a Exxon já vinha num movimento de forte valorização", diz Nelson Rodrigues de Matos, analista do Banco do Brasil Investimentos. "Com os recordes de alta do petróleo no pré-crise, a empresa se beneficiava, porque reajustava imediatamente o preço na bomba." Para a Petrobras, no entanto, a situação é diferente. "Há uma ingerência no mercado interno para o reajuste no preço dos combustíveis", afirma Matos. "Isso fez com que a Exxon tivesse uma valorização que não chegou à Petrobras.”

Para Matos, a queda abrupta da cotação da Petrobras não teve fundamento econômico. “Além disso, a companhia divulgou o plano estratégico, que tirou as dúvidas do mercado e foi bem aceito. Isso ajudou a valorizar as ações”, diz. As principais dúvidas diziam respeito modelo de negócio a ser adotado na exploração do pré-sal, já que poderia ser criada uma nova companhia que abrigaria apenas o pré-sal.

Segundo ele, a exploração do pré-sal é um trunfo para a Petrobras. “O novo marco regulatório do petróleo foi positivo para a Petrobras, porque ela será a operadora única e ainda vai receber recursos do governo”, afirma. Por outro lado, a capitalização da estatal é um risco para os papéis da companhia. “Por ser um custo muito alto, os pequenos investidores tendem a perder espaço e isso não é bom”, diz Matos.

Para a Vale, o desempenho positivo está também fortemente relacionado ao movimento das commodities. De acordo com analistas,  esse tipo de produto sofreu muito com a crise porém a tendência é positiva, mas com ritmo de crescimento menor.

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