David Valenzuela. Nova York, 28 out (EFE).- Na semana em que o "crash" da bolsa de Nova York em 1929 completa 80 anos, Wall Street dá sinais de otimismo e estabilidade e parece estar deixando para trás os abalos ocorridos há um ano.
"A recessão econômica acabou. Esperamos um período de recuperação gradual que pode ser frágil, mas estamos longe do pior", disse nesta terça-feira à Agência Efe o diretor da Moody's Economy, Joseph Brusuelas.
O especialista lembrou, no entanto, que "tudo poderia ter sido pior" em 2008, quando "se evitou uma segunda Grande Depressão", como a desencadeada pela quebra da bolsa nova-iorquina em 1929.
A quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, a maior na história dos Estados Unidos, em setembro do ano passado, sacudiu o sistema financeiro mundial e despertou os fantasmas de outubro de 1929, quando a bolsa de Nova York perdeu 12,82% no dia 28 e 11,73% um dia depois.
Aqueles fatídicos pregões foram o ponto culminante de dias de pânico generalizado entre os cidadãos, que correram para retirar seu dinheiro dos bancos.
Assim começou um período de grande depressão econômica nos EUA que acabaria apenas nos anos 40 e durante o qual a bolsa de valores perdeu 82% de valor, uma imagem que voltou à mente de muitos investidores há um ano, quando vieram à tona os piores presságios sobre a recuperação econômica atual.
"As autoridades souberam prevenir uma segunda Grande Depressão.
Essa é a maior diferença entre aquela crise e esta", diz Brusuelas.
Apesar de apontar os "erros cometidos anteriormento pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano)", Brusuelas destacou que a entidade atuou "rapidamente, de maneira adequada e antes que o pior da crise financeira acontecesse".
Segundo o especialista, "o problema foi identificado a tempo e foram conduzidas políticas monetárias agressivas para injetar liquidez no sistema americano, assim como no mundial".
Essas medidas contribuíram em parte para que Wall Street demonstrasse alguns sinais de otimismo no início deste ano, embora as inquietações em torno da saúde do setor bancário e da evolução da economia mundial contribuíram para abater os ânimos na bolsa nova-iorquina no início de março.
Em 9 de março, o índice Dow Jones Industrial fechou a 6.547,05 pontos, o nível mais baixo desde meados de abril de 1997, enquanto os indicadores S&P 500 (676,53 pontos) e Nasdaq (1.268,64 pontos) concluíam o pregão nos níveis mais baixos desde meados de setembro de 1996 e meados de outubro de 2002, respectivamente.
A partir desse momento, no entanto, Wall Street seguiu uma trajetória ascendente, devido em parte a uma melhoria dos bancos e nos lucros empresariais. No fechamento desta segunda-feira, o Dow Jones havia ganhado desde então 50,7%; o S&P, 57,7%; e o Nasdaq, 68,8%.
O Dow Jones, que inclui 30 das maiores empresas dos Estados Unidos, inclusive superou neste mês o patamar de 10 mil pontos pela primeira vez em um ano, mas está longe ainda do recorde histórico de 14.164,53 pontos registrado no fechamento do pregão de 9 de outubro de 2007.
"Os índices dos mercados de valores ao redor do mundo podem cair de novo, mas de uma maneira muito leve, se os investidores se derem conta de que a recuperação pode ser modesta, mas podemos dizer que as ações não vão perder valor nos níveis que vimos há alguns meses", explicou à Efe o economista-chefe da Global Insight, Nariman Behravesh.
Para Behravesh, que considera que a recessão acabou na maioria de países - "com exceções como Espanha, Itália e Reino Unido" -, agora é preciso esperar para ver qual é "a força da recuperação da economia, que viveu uma crise muito menos severa do que a de oitenta anos atrás".
Nesta semana, analistas e investidores de Wall Street esperam ansiosamente pela divulgação de uma série de dados que podem oferecer uma ideia mais clara do panorama mais imediato para a economia americana.
Entre eles estão os cálculos preliminares sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano, que devem apontar para um avanço de mais de 3% da atividade econômica nesse período. EFE dvg/bba
