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As multinacionais brasileiras pensando o Brasil

29/09 - 08:00 - Luís Nassif, colunista do Último Segundo

Uma das principais características das grandes nações do planeta é o fato do governo não ser o único formulador de políticas públicas e de visões estratégicas. Desde o século 19, os empresários tiveram papel de relevo  na formação do poderia norte-americano.


O Brasil começa a entrar agora nesse ciclo. Nos últimos anos, as empresas avançaram em modelos de gestão, domínio sobre o mercado de capitais, acesso a crédito internacional, internacionalização. Agora, começam a se voltar para a visão estratégica de país, entendendo-a indissolúvel da estratégia de cada empresa.

É por aí que se entende a publicação “Plano de Ação Contra a Crise”, produção conjunta da Cúpula Empresarial e do Fórum Nacional, juntando as maiores empresas do País e os executivos de maior liderança.

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O trabalho começa tecendo loas à “cultura da esperança” – ou seja, na aposta cerrada no País. Mostra a importância de transformar a crise em oportunidade. Endossa o triunfalismo com que Lula vem cercando o discurso público.

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Depois, traça um cenário do mundo que se terá pela frente, com o crescimento da importância dos BRICs (os grandes emergentes), o novo papel do G20 (o grupo dos 20 países mais desenvolvidos, em substituição ao G8).

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O capítulo seguinte é sobre as novas ideias, a visão moderna do crescimento e do desenvolvimento. E aí desemboca em um conjunto de conceitos desenvolvidos nos últimos anos – muitos dos quais antecipei no meu livro “Os Cabeças de Planilha”, de alguns anos atrás.

Dentro dessa visão estratégica, papel central é desempenhado pela chamada Produtividade Total dos Fatores – onde entram elementos como inovação, progresso tecnológico, papel das instituições econômicas, dos novos equipamentos e das redes entre empresas, facilitadas pela Internet.

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O trabalho enfatiza a importância dos chamados conhecimentos intangíveis – educação, tecnologias genéricas, engenharia de produto e processo, informação etc. E propõe uma economia do conhecimento ou economia criativa para o País.

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Para o curto prazo, o trabalho defende a preservação da renda e do emprego em setores vitais; a superação da vulnerabilidade externa já existente; a contenção dos gastos de custeio para os Três Poderes, liberando para investimento.

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Para dar foco às ações, propõe a criação de Grupos Executivos para cada uma das prioridades, formados no âmbito das entidades empresariais ou empresas de setores específicos.

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Finalmente, entende-se o papel central das pequenas e micro empresas no processo de desenvolvimento. O trabalho propõe não apenas mecanismos que facilitem a formalização, como transformá-las em agentes de inovação.

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Sugere controle dos gastos públicos. Mas também uma estratégia de diversificação da pauta de exportações. E a montagem de uma matriz logística, com a modernização do Ministério dos Transportes e da Secretaria Especial dos Portos.

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A rigor o trabalho não traz ideias que não tenham sido debatidas antes – ainda que em circuito menor. Sua importância reside no fato de terem se transformado nas ideias-chave para a nova visão do País no mundo.

A volta dos derivativos

A diminuição do clima de aversão ao risco a partir do segundo trimestre fez com que os bancos norte-americanos voltassem a operar com derivativos – aplicações de alto risco cuja especulação desenfreada contribuiu decisivamente para a crise. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, os cinco grandes bancos comerciais, JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo, concentraram 97% do lucro de US$ 5,2 bilhões com essas operações no período.

BB mais forte no BV

O Banco do Brasil consolidou sua participação no Banco Votorantim. A instituição estatal ampliou sua participação no BV para 49,99% do capital votante, e 50% do capital social. Pela fatia, o BB injeta R$ 3 bilhões na Votorantim Finanças e R$ 1,2 bilhão no Banco Votorantim, por meio de subscrição de ações. O BB e o BV prometem reduzir em “pelo menos 25% o valor máximo para a taxa de cadastro da BV Financeira, enquanto o valor efetivamente cobrado deverá ser reduzido em no mínimo 9,1%”.
 
Carrefour pode deixar o Brasil

Pressionado por grandes acionistas europeus, o grupo supermercadista francês Carrefour pode ter que descontinuar suas atividades em países emergentes, como Brasil e China. A Colony Capital e Bernard Arnault, dono da gigante de luxo LVMH, sugerem que o grupo deixe essas operações como forma de reduzir custos. No entanto, o presidente mundial do Carrefour, Lars Olofsson, disse os emergentes são prioridade nos planos de expansão.

A queda das exportações

A queda das exportações brasileiras não foi um problema de câmbio (real valorizado), mas de enfraquecimento da demanda mundial, disse o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Durante encontro de chefes de Estado da América do Sul e da África na Venezuela, Jorge afirmou que o governo está abrindo novos mercados, e descartou reduzir impostos ou juros das empresas exportadoras. "Os juros estão bons", disse. "Nunca foram tão baixos".

Otimismo aumenta para 2010

O otimismo em relação ao desempenho da economia em 2010 aumentou. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a previsão de crescimento do PIB no ano que vem subiu de 4,2% para 4,5%. Pela segunda semana consecutiva, a estimativa de expansão da economia neste ano ficou em zero. A taxa Selic deve ficar em 8,25% este ano e subir para 9,5% até o final de 2010, estimou o mercado. Já a produção industrial deve cair 7,24% em 2009, e crescer 6% no próximo ano.

Empresas estão honrando dívidas

O número de empresas que deixaram de honrar seus compromissos está diminuindo. O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas apontou um declínio de 12,7% na inadimplência das pessoas jurídicas de julho para agosto. A recuperação da liquidez, queda da inadimplência do consumidor e o fator calendário (agosto teve dois dias úteis a menos que julho) contribuíram para a melhora do desempenho no período.





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