Presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Reginaldo Braga Arcuri acredita ser possível desenvolver políticas industriais com resultados a médio prazo de melhoria da competitividade da economia.
É um desafio duro quando o Banco Central terceirizou as políticas monetária e cambial para os fluxos de capital externo. Sem a perna do câmbio, qualquer política industrial será capenga. *** Arcuri lembra-se de um encontro promovido em 2001 pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com a presença do grande teórico da competitividade Michel Porter. Dentre suas lições, destaca: - Resultados de programas de competitividade só aparecem no longo prazo.
- Uma política industrial não poder ser mera declaração de intenções, mas dispor de metas macroeconômicas e setoriais, por programas específicos. Não necessariamente para perseguir as metas a qualquer custo (já que existem variáveis que não estão sob controle), mas para servir de compreensão do que está acontecendo.
*** Na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP) anunciada no ano passado, foram fixadas duas macro-metas, diz Arcuri. Uma delas, a de formação bruta de capital fixo, de 21% sobre o PIB em 2010. Com a crise, a meta ficou mais distante. Mas como a economia está em processo de recuperação, Arcuri acha possível ser alcançada até final de 2010. *** Arcuri considera que a definição de metas permite um esforço sistemático para poder responder ao que interessa: porque as coisas acontecem. *** Mas o que está sendo feito, em termos de ações concretas? Segundo Arcuri, Miguel Jorge, Ministro do Desenvolvimento, tem feito uma série de viagens que vão além das vendas de curto prazo. Estaria preparando processos de integração produtiva com países, não apenas para vender pontualmente, mas para construir laços econômicos mais profundos. *** No início de fevereiro esteve na região de Magreb, norte da África. A Líbia solicitou formalmente a indicação de empresas brasileiras capazes de se instalar por lá para produzir material de construção. Se tudo der certo, será um canal de ligação do Brasil com uma região onde o comércio bilaterial, hoje em dia, está restrito apenas a commodities. *** Há três semanas estiveram em Cuba, com várias empresas interessadas em se instalar por lá. Deverá sair pelo menos uma fábrica de vidros planos, para aproveitar a excelente qualidade da sílica cubana e a proximidade com o nordeste brasileiro. Criam-se fluxos de comércio mais protegidos, porque não apenas baseados em preços e custos de oportunidade imediata. Essa mesma ofensiva foi desfechada em Angola. Lá, além de obras de infraestrutura, a Odebrecht criou redes de supermercados, abrindo boa possibilidade para venda de produtos brasileiros, especialmente alimentos e de limpeza. *** Todas essas iniciativas são café pequeno, ações pontuais, isoladas, de efeito lento. Se não se amarrar a política industrial à política cambial, se não se tirar do mercado o poder de definir o câmbio, o desenvolvimento nunca será sistêmico. Vale acredita em recuperação mundial A mineradora Vale mostra otimismo com o futuro, pois espera que mercado mundial vai reagir à crise mundial neste segundo semestre. "Claramente o mercado de hoje é mais forte, principalmente em relação ao primeiro semestre", disse o diretor financeiro Fábio Barbosa. Os principais países compradores de minério de ferro, incluindo a China, já consumiram a maior parte de seus estoques e a economia mundial começa a se recuperar, o que abre espaço para a retomada da produção no segundo semestre. PIB quase estável em 2009 Os bancos estão mais otimistas com o desempenho da economia neste ano. Pesquisa elaborada pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) junto às instituições associadas revela que a projeção para o PIB melhorou, com a queda estimada passando de -0,3% para -0,1%. Os associados acreditam que o volume de crédito será maior, passando de 16,1% para 16,3%, mas a expectativa de produção industrial caiu de -4,5% para 5,9%. Mantega ajuda a preparar agenda do G20 O ministro da Fazenda Guido Mantega está em Washington para discutir assuntos referentes à reunião do G20, que ocorre na cidade de Pittsburgh em 24 e 25 de setembro. Na ocasião, os países mais ricos debaterão novas medidas contra a crise econômica. Mantega deve se encontrar com o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, além de representantes brasileiros do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional. Gerdau é a maior transnacional Com mais da metade da receita vinda das operações externas, a siderúrgica Gerdau é a transnacional brasileira mais presente no exterior, segundo o Ranking das Transnacionais Brasileiras 2009 (ano-base 2008) da Fundação Dom Cabral. Os critérios consideraram o peso das receitas das subsidiárias, proporção dos ativos e relação de funcionários no exterior. Em segundo, vieram a autopeças Sabó e o frigorífico Marfrig. Governo reafirma PIB positivo Os ministros do governo disseram que a economia vai crescer em 2009. Para Paulo Bernardo (Planejamento), o PIB pode avançar 1%. "Temos que manter a previsão, até porque ainda existe um quadro grande de incerteza", reiterou. Bernardo defende que a economia está mais próxima dessa previsão do que do mercado financeiro. Já Carlos Lupi (Trabalho) é mais otimista. "Insisto em 2%. O ano não terminou", afirmou, com base na recuperação do mercado de trabalho, que fará girar o consumo. Mercado de carros no mundo Além do Brasil, apenas quatro países registraram aumento de vendas de carros no primeiro semestre. Pesquisa elaborada pela consultoria Jato Dynamics do Brasil aponta que a China foi o mercado que mais vendeu automóveis no período em questão, seguida por Alemanha, Brasil, Índia e Turquia. Do lado negativo, a Rússia foi o país que mais sofreu, seguida por Espanha, México, Estados Unidos e Grã-Bretanha.
