07/07/2009 -
17:21
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Redação com agências
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) seguiu o clima negativo predominante em Wall Street e fechou em forte queda as negociações desta terça-feira (7). O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, teve baixa de 2,30%, para os 49.459 pontos.
O ritmo dos negócios no dia foi determinado pelo mercado americano. O pessimismo do pregão nos EUA foi atribuído à expectativa negativa quanto ao desempenho das empresas no segundo trimestre. Assim, o índice Dow Jones Industrial, o principal de Wall Street, fechou em baixa de 161,42 pontos (1,94%), para 8,163.45, seu nível mais baixo em dez semanas. O índice seletivo S&P 500 perdeu 1,97%, enquanto o indicador da bolsa tecnológica Nasdaq retrocedeu 2,31%.
Impostos em alta
Nesta terça-feira, a Receita anunciou que mesmo com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e medidas de cortes de tributos, a carga tributária do Brasil aumentou no ano passado.
Dados mostram que a carga tributária (conjunto de tributos recolhidos pela União, Estados e municípios) bateu recorde histórico em 2008 e atingiu 35,8% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa uma alta de 1,08 ponto porcentual em relação à carga tributária de 2007, quando foi de 34,72% do PIB.
Outros fatores
Foi anunciado também pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) teve uma queda maior que a esperada em junho, devido a um arrefecimento de custos em todos os componentes. O indicador declinou 0,32% em junho, ante variação positiva de 0,18% em maio.
A Bovespa anunciou hoje ainda que pelo quarto mês consecutivo, o volume negociado na Bolsa apresenta expansão. Em junho, foram negociados R$ 112,74 bilhões, um aumento de 4,36% sobre o registrado em maio.
O número de negócios avançou de 6,91 milhões para 7,04 milhões, crescimento de 1,88%. As médias diárias foram de R$ 5,40 bilhões e 345.276 transações.
Dança
Hoje, o jornal FT premia a potencialidade brasileira. O Brasil passa "dançando pela crise", diz o jornal britânico, em caderno especial sobre o País publicado nesta terça-feira. "Se as conversas sobre recuperação fazem sentindo em algum lugar do mundo, é no Brasil, um líder emergente mundial na agricultura, mineração, petróleo, até em bancos de investimento e com um mercado doméstico que os concorrentes só podem sonhar."
O anúncio ontem feito pela agência de classificação de risco Moody’s, que colocou a nota de crédito do Brasil em revisão para possível elevação, também deve repercutir entre os investidores. Se a agência confirmar a melhora de nota, o País ganha mais um grau de investimento. Das grandes empresas de rating, só falta o selo da Moody’s, pois Fitch e Standard & Poors já deram tal classificação ao Brasil.
Dólar
No mercado cambial, o dólar voltou a registrar alta, marcando o quarto pregão seguido de valorização frente ao real. A moeda americana teve elevação de 1,58% e fechou cotada a R$ 1,993.
Internamente, contribuiu para a alta do dólar o fluxo cambial negativo, decorrente de remessas de lucros e dividendos por empresas e investidores estrangeiros, diante da percepção de menor oportunidade de ganhos na Bovespa e no mercado de renda fixa, por causa da perspectiva de continuidade da queda da taxa Selic (juro básico da economia) em meio aos sinais de fraqueza da economia local.
Segundo o analista João Silveira, da mesa de Home Broker da Alpes Corretora, os investidores em geral embarcaram numa onda de pessimismo em relação ao desempenho da economia mundial no segundo semestre por causa dos elevados níveis desemprego e endividamento da população, que devem enfraquecer ainda mais a demanda global por matérias-primas (commodities) e produtos industrializados.
"As perspectivas são preocupantes em relação à saúde financeira de bancos e de empresas dos setores industrial e de serviços não só para os países desenvolvidos como também para o Brasil", afirmou.
Ao longo do pregão, o Banco Central (BC) manteve as atuações diárias no câmbio, comprando moeda americana em leilão no mercado à vista. De acordo com comunicado do Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin), a operação teve início às 11h55 e terminou às 12h05. A taxa aceita ficou em R$ 1,959.
(Com informações do Valor Online, Reuters e da Agência Estado)
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