Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira que o Brasil mostra sinais robustos de retomada econômica e negou que o governo planeje uma rodada adicional de flexibilização fiscal.
"Nossa política está sendo bem sucedida", disse ele durante cerimônia de posse do novo presidente da Nossa Caixa.
Segundo Mantega, as medidas anticíclicas adotadas pelo governo nos últimos meses, incluindo relacionadas a depósitos compulsórios, redução de impostos na cadeia produtiva e aumento da oferta de crédito, já surtiram resultados e o forte ritmo de expansão da economia, atropelado pela crise no final do ano passado, será retomado no fim deste ano.
"A indústria vai voltar a crescer no segundo semestre e o ritmo de expansão do PIB será de 3 por cento ao ano no quarto trimestre", projetou.
O ministro previu ainda que o Brasil deve ter uma geração líquida de 500 mil a 700 mil novos empregos em 2009, número que deve subir para cima de 1 milhão de postos em 2010, quando espera uma expansão do PIB de 4,5 por cento "tranquilamente".
Mantega sinalizou com a adoção de possíveis medidas adicionais para estimular a economia, entre elas uma redução ainda maior do nível dos empréstimos compulsórios.
"Poderá haver novas liberaçações, se o governo considerar conveniente, afirmou.
Ele negou, no entanto, que o governo esteja considerando relaxar ainda mais a política fiscal. Neste ano, por conta da crise, o ministério já reduziu a meta de superávit de 3,5 por cento para 2,5 por cento do PIB.
"Falam por aí que queremos zerar a meta de superávit primário. É conversa fiada, nunca defendi", disse, reiterando que em 2010 a meta de 3,5 por cento será retomada, excetuando-se a contribuição dos recursos da Petrobras.
Com isso, a relação dívida/PIB deve subir de cerca de 33 por cento para 41 por cento até dezembro, movimento influenciado também pelos efeitos da variação cambial sobre a dívida pública.
Para evitar uma piora ainda maior deste número, Mantega disse que o governo considera fazer cortes de despesas, embora tenha evitado citar onde elas ocorrerão. Adiantou apenas que o reajuste salarial de servidores federais está garantido e que não haverá cortes em programas considerados prioritários do governo, como o PAC e o Bolsa Família.
Além disso, Mantega disse que com a redução dos juros, o Brasil deve ter em 2009 um déficit fiscal de apenas 1,9 por cento do PIB, a menor taxa entre os países que compõem o G20.
O ministro salientou que os bancos públicos têm tido papel relevante no esforço do governo para reanimar a economia.
"Desde setembro, quando a crise piorou, os bancos públicos aumentaram a oferta de crédito em cerca de 20 por cento, enquanto nos privados o aumento foi de só 2,5 por cento.
(Edição de Vanessa Stelzer)
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