SÃO PAULO - Sem referencial externo, já que Wall Street não operou em função de feriado, a sexta-feira foi marcada por indefinição e baixo volume de negócios nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia em queda, depois de oscilar, apenas, 253 pontos entre a máxima e a mínima.
O dólar fechou praticamente estável e os juros futuros mantiveram o viés de baixa, sem grande alteração de preço.
Na Bovespa, basta lembrar que o estrangeiro faz mais de um terço de todos os negócios. No câmbio e nos juros a participação dessa classe de investidor também é grande. Como ressaltou o analista da Corretora Liquidez, Francisco Carvalho, além do volume, o não residente também serve de referência à tomada de posição.
Fora a baixa oscilação, o tímido volume marcou o pregão de sexta-feira na Bovespa, que movimentou apenas R$ 1,66 bilhão. Esse foi o menor giro desde 25 de maio, dia que também foi afetado por feriado em Wall Street.
Ao fim da jornada, o Ibovespa cedeu 0,18%, aos 50.934 pontos. Na semana, o principal referencial do mercado acionário brasileiro teve desvalorização de 1,07%.
Deixando de lado o pregão de sexta-feira, o analista da Corretora Geral, Ivanor Torres, aponta que o mercado opera na expectativa de uma realização dos lucros acumulados no primeiro semestre - algo sinalizado pelos analistas gráficos, que não descartam uma queda do índice até os 44 mil ou 45 mil pontos.
Pelo lado dos fundamentos, existem outros fatores preocupantes, como dados nada animadores de países desenvolvidos, confirmando que a desaceleração econômica não terminou.
" Como a percepção de futuro piorou nessas últimas semanas é claro que o mercado se retraiu também " , explica Torres, lembrando que os meses de junho, julho e agosto são historicamente negativos para a bolsa em função da menor atividade do investidor estrangeiro.
Mas o analista se mostra particularmente otimista e acredita que o Ibovespa deve continuar oscilando entre os 50 mil e 55 mil pontos.
No mercado de câmbio, os negócios se concentraram no período da manhã, quando a moeda registrou a mínima de R$ 1,939 e a máxima R$ 1,957. À tarde, o dólar comercial oscilou próximo da estabilidade, até fechar com leve alta de 0,05%, a R$ 1,951 na compra e R$ 1,953 na venda. No acumulado da semana, a moeda garantiu apreciação de 0,72%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa teve leve baixa de 0,03%, para R$ 1,950. O giro financeiro somou US$ 28,5 milhões, um quinto do registrado um dia antes.
O movimento no interbancário foi igualmente fraco, com giro de cerca de US$ 1 bilhão, menor volume desde o dia 10 de junho. Poucos negócios, também, no mercado futuro. Até as 16h30, foram negociados cerca de 70 mil contratos, contra uma média diária de 210 mil.
Os contratos de juros futuros tiveram um pregão de pequena movimentação, mas alguns vencimentos mantiveram o viés de baixa observado nos últimos dias. Segundo o vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, a falta de liquidez, por conta do feriado em Wall Street, tira credibilidade da movimentação do dia, que pode ser vista como uma continuidade do ajuste de queda iniciado na terça-feira.
Folchini observa que a falta de tendência clara não só nos juros, mas também em outros mercados, como bolsa e dólar, tem como pano de fundo o aumento na percepção de que a economia mundial vai continuar apresentado desempenho fraco, o que justificaria baixas taxas de juros.
O contraponto, segundo o especialista, é que, apesar dessa desaceleração global, a economia interna pode ter um desempenho satisfatório. Ou seja, pode haver um crescimento mais forte do que o do restante do mundo.
Segundo Folchini, como não se sabe qual das vertentes vai preponderar, os agentes estão na defensiva, aguardando mais indicadores que apontem se a fraqueza externa ou a dinâmica do mercado doméstico irá prevalecer.
Ao fim do pregão, na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010 declinava 0,01 ponto, a 8,77%. O vencimento agosto de 2009, o mais líquido da sessão, fechou a 8,99%. Setembro de 2009 subiu 0,03 ponto, para 8,84%. Já outubro de 2009 caiu 0,01 ponto, a 8,81%.
Entre os contratos longos, janeiro de 2011 diminuiu 0,05 ponto, para 9,88%. O vencimento para janeiro de 2012 devolveu 0,02 ponto, para 10,95%. E janeiro de 2013 projetava 11,61%, também desvalorização de 0,02 ponto.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 329.640 contratos, equivalentes a R$ 31,32 bilhões (US$ 16,08 bilhões), queda de 10% sobre o registrado na quinta-feira, quando o movimento já foi menor. O vencimento para agosto de 2009 foi o mais negociado, com 158.500 contratos, equivalentes a R$ 15,33 bilhões (US$ 8,08 bilhões).
(Eduardo Campos | Valor Online)
