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Os 15 anos do real – 4

05/07/2009 - 07:00 - Luís Nassif, colunista do Último Segundo

Nas colunas anteriores, procurei historiar o processo que levou à apreciação cambial do Real e suas consequências para a economia.

Vamos entender melhor como ocorreu esse processo.

De 1994 até outubro passado – quando houve a eclosão da crise internacional – o país teve que conviver com a síndrome da “lição de casa”. Se cumprisse com as normas definidas pelo mercado – livre fluxo de capitais, superávits fiscais robustos, cortes de programas sociais -, e se perseverasse nesse caminho, no fim do arco-íris surgiria o desenvolvimento. Isso porque, com os fundamentos da economia em ordem, os capitais externos viriam abundantes para o país, trazendo o desenvolvimento.

***

Essa promessa nunca foi cumprida. Pelo contrário, a demora em investir na melhoria da saúde, da educação, em estimular a gestão, a inovação, em investir em infraestrutura – somada a uma valorização artificial do real (tornando os produtos brasileiros caros em relação aos importados) – desestimulou os investimentos produtivos externos no país.

O diferencial entre os juros internos e externos atraíam apenas capitais especulativos, que fugiam do país ao primeiro sinal de crise.

A economia ficou estagnada todos esses anos. Mesmo assim, esse modelo conseguiu uma sobrevida extraordinária. Em parte, devido à manutenção da vulnerabilidade externa. O real valorizado reduziu as exportações, aumentou as importações e tornou o país dependente de recursos externos.

Para fechar as contas, o Banco Central mantinha taxas de juros extraordinariamente elevadas. A manutenção desse modelo predatório dependia fundamentalmente da situação das contas externas. No dia em que houvesse uma desvalorização cambial, as exportações ganhassem ritmo, o saldo comercial voltasse a ficar robusto, não haveria mais a necessidade de capitais financeiros para fechar as contas nacionais. E o país poderia voltar a conviver com taxas de juros civilizadas.

***

Mesmo assim, durante todo o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, o real foi mantido artificialmente elevado. As taxas de juros praticadas – para atrair dólares e fechar as contas externas – provocaram um aumento brutal da dívida interna. Esse aumento brutal da dívida exigia superávits fiscais gradativamente mais elevados – economia em programas sociais, educação, saúde, para garantir o pagamento de juros e impedir uma fuga em massa do capital de curto prazo.

É o que explica o país ter sofrido com a crise do México, da Ásia, da Rússia e com a crise de 2002. Qual a razão para não se ter corrigido o erro? Simples: os juros pagos pelo BC beneficiavam a estrutura de poder que se formou em torno do próprio banco. A transferência de renda foi brutal, acabou consumindo tudo o que o governo arrecadou com a venda de estatais. Tirava-se literalmente da boca do faminto para alimentar o rentista.

Essa foi a herança maldita, a consequência de um jogo de tomada de poder, liderado por Fernando Henrique Cardoso, que prosseguiu no governo Lula, e que comprometeria todas as boas iniciativas dede ambos os governos.

Produção de bens duráveis sobe

Os incentivos fiscais e as promoções comerciais foram os principais responsáveis pelo aumento da produção de bens de consumo duráveis, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre abril e maio, a produção de bens duráveis subiu 3,8%, mais que o dobro da média da indústria, de 1,3%. A queda do IPI para carros fez a produção aumentar 3,6%, e na linha branca (geladeira, fogão e máquina de lavar) a produção também avançou.

Agência fecha 7 bancos nos EUA

O fechamento de outros sete bancos norte-americanos elevou para 52 o número de instituições falidas neste ano, mais que o dobro de 2008, informou a Agência Federal de Garantia de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês). Dessa leva, seis bancos eram do Estado de Illinois, controlados por uma única família, e outro no Texas. Essas instituições regionais totalizavam cerca de US$ 1,49 bilhão em ativos e depósitos de US$ 1,34 bilhão.

Desemprego em alta no mundo

O desemprego global deve seguir em alta neste ano, apesar dos sinais mais consolidados de recuperação econômica, apontou o FMI (Fundo Monetário Internacional). Em reunião de ministros de Finanças das Américas no Chile, o diretor do FMI para a América, Nicolás Eyzaguirre, afirmou que a desaceleração econômica está perdendo ritmo, e que as previsões para 2010 serão melhores do que se esperava inicialmente.

China quer fortalecer FMI

Às vésperas do encontro de cúpula do G8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia) na Itália, a China se declara favorável à injeção de recursos em organismos multilaterais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, e “pede um maior monitoramento das políticas macroeconômicas", disse o líder chinês Hu Jintao. Além da China, Brasil, Índia, África do Sul e Egito participarão do encontro. O G8 se reúne entre os dias 8 e 10 de julho.

Setor de serviços recua na Europa

A atividade de serviços na zona do euro sofreu leve desaceleração em junho, mas a confiança empresarial aumentou. Na leitura mensal, o índice Markit de serviços recuou de 44,8 em maio para 44,7 em junho, ficando acima das expectativas de mercado, de retração para 44,5. Apesar da quase estabilidade, o índice está abaixo de 50, que divide a expansão da contração. Já o componente de expectativa empresarial subiu de 59,1 para 62,3 no período.

Refino de petróleo do pré-sal

A primeira carga de petróleo retirada da camada pré-sal do litoral brasileiro começou a ser refinada no dia 30 de junho, segundo a Petrobras. A operação está em andamento na Refinaria de Capuava (Recap), em Mauá (SP), e os resultados são aguardados com expectativa, para avaliar o rendimento e qualidade dos derivados obtidos. O petróleo veio do campo de Tupi (Bacia de Santos), onde se estima haver uma reserva com volume estimado entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris.





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