Alguns meses antes do lançamento do Real, o economista Winston Fritsch, da equipe econômica, participou de uma reunião reservada com alguns banqueiros de investimento – nacionais e estrangeiros. Nela, informou-os dos rumos que se pretendia dar à política cambial, apreciando o real – algo que fugia à lógica convencional dos planos com âncora cambial.
Os banqueiros se surpreenderam com um membro do governo antecipando os movimentos do câmbio.
Depois, entenderam. Haveria uma grande disputa no mercado futuro de câmbio, na BMF. Empresas exportadoras, multinacionais, certamente buscariam proteção contra o risco de desvalorização cambial. Estavam dispostas a pagar para ter a garantia de um dólar a R$ 1,20 ou mais. De sua parte, a Fazenda e o Banco Central empurrariam o dólar para baixo através de um estratagema: a garantia tácita de que o dólar não passaria de R$ 1,00; mas nenhuma garantia sobre o tanto que ele poderia cair. Com os juros elevadíssimos, praticados no início do Real, os investidores seriam estimulados a vender dólar a preços abaixo de R$ 0,90, sabendo que, com as taxas de juros recebidas, e com a garantia de que o dólar não passaria de R$ 1,00, seu risco ser mínimo. *** Mesmo assim, haveria uma forte luta entre comprados e vendidos na BM&F (ou seja, aqueles que apostavam na queda e os que apostavam na alta do real). E, para ganhar o jogo, os economistas do Real necessitavam de aliados fortes na ponta que apostava na valorização do real. *** Deu-se a partida para o jogo. Poucas semanas após a implantação do Real, o dólar já estava valendo 85 centavos de real. Era brutal os ganhos dos investidores que apostavam na valorização do real. Mas algo fugiu do controle. Três meses depois da maluquice, as contas externas mostravam déficit. O país saía de um superávit comercial de US$ 12 bilhões/ano, no início do Real, para um déficit nas contas externas já em outubro. O déficit fortaleceria as empresas que, no mercado futuro, tinham apostado na desvalorização do real. Para impedir que houvesse prejuízos – e também para garantir a eleição de FHC – os economistas do Real escancararam mais ainda a economia e passaram a declarar que a volta dos déficits externos representava uma vitória do Plano – um nonsense que foi aceito acriticamente pela mídia. *** O jogo foi mantido na base da retórica ideológica. Quem fosse a favor da desvalorização do Real era tratado como inimigo da pátria. A esta altura, a agricultura estava quebrada pela apreciação cambial e muitos setores da economia afetados pela queda das exportações. Em janeiro, sobreveio a crise do México, secando as fontes de financiamento externo. Em março o país já não tinha condições de continuar crescendo, porque não haveria dólares suficientes para sustentar as importações. As taxas de juros foram aumentadas para 45% ao ano pelo Banco Central. O crescimento foi abortado, a inadimplência atingiu níveis recordes, a dívida interna explodiu. Naquele momento, os economistas do Real jogavam pela janela a maior oportunidade de crescimento que o país experimentara até então. Vendas recordes de carros O montante de veículos leves, caminhões e ônibus novos vendidos no primeiro semestre atingiu a cifra recorde de 1,45 milhão de unidades, uma expansão de 3,01% em relação ao mesmo período de 2008. Segundo a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), o crescimento nas vendas do setor – incluindo motos – deve atingir 3,13% em 2009. O setor de veículos tem se beneficiado pela queda do IPI desde dezembro. BCE mantém taxa de juros em 1% A taxa básica de juro da zona do euro permaneceu em 1% ao ano, segundo pronunciamento do Banco Central Europeu (BCE) e em decisão amplamente esperada pelo mercado financeiro. A autoridade monetária européia sinalizou que o índice deve seguir nesse patamar. "Consideramos que o que temos agora é apropriado", comentou o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet. O próximo passo da entidade é iniciar em 06 de julho o programa de compra de títulos lastreados em hipotecas e do setor público. Rigor com as operadoras de cartões O Reino Unido vai ampliar a pressão para que as companhias de cartões de crédito sejam mais criteriosas na concessão de crédito e cobrança de juros a seus clientes. O governo criou o cargo de “advogado do consumidor” para impedir práticas abusivas das operadoras, como o aumento do limite de gastos sem autorização ou dos juros sobre a dívida. O BC britânico avalia que a dívida dos usuários de cartões de crédito esteja em torno de 233 bilhões de libras (cerca de US$ 381 bilhões). Telefônica deveria isentar multa A incapacidade da Telefônica em entregar um bom serviço de banda larga já seria motivo suficiente para que ela não cobrasse a multa por cancelamento de serviço, segundo o Ministério Público Federal em São Paulo. Para o procurador Marcio Schusterschitz da Silva Araújo, a Telefonica "não pode querer impor o prejuízo da sua má prestação de serviços aos consumidores". A operadora está proibida de vender o Speedy desde o dia 20 de junho, por insuficiência técnica. Seguro-desemprego diminui na Espanha O número de pedidos de seguro-desemprego na Espanha caiu 1,5% em junho no comparativo com maio, para um total de 3,5 milhões. Segundo o governo, este é o segundo mês consecutivo de queda. Para o premiê espanhol José Luis Zapatero, o recuo é "um indício" de que a situação está melhor no segundo trimestre. A Espanha continua com a maior taxa de desemprego da zona do euro, atingindo 18,7% em maio, quase duas vezes maior do que média do bloco, de 9,5%. Credores da GM brigam por direitos Credores insatisfeitos da General Motors querem impedir a venda dos ativos bons da montadora concordatária para a “Nova GM”, financiada pelo governo dos Estados Unidos. O representante legal desse grupo alega que a operação não foi negociada como uma venda legítima aos interessados. Eles querem que a GM siga o processo tradicional de falência, onde os credores têm poder de voto ao invés de depender de uma proposta para a venda de ativos.
