SÃO PAULO - O mercado de capitais deve ter um segundo semestre "vibrante" e, com isso, dar algum "refresco" ao fluxo de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A avaliação é do presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho.
Ele descarta que o banco esteja tendo dificuldades para financiar o setor privado e contribuir para acelerar a atividade econômica no País. Ainda assim, Coutinho acredita que é mais saudável para o Brasil que as empresas possam voltar a buscar financiamento no mercado de capitais.
"Estamos com recursos, mas é preciso que o mercado também ofereça financiamento de longo prazo", afirmou Coutinho na tarde desta sexta-feira, durante seminário promovido pela Internews em São Paulo.
Para ele, um volume muito alto de desembolsos pelo BNDES não seria exatamente um bom sinal de recuperação econômica, mas sim o movimento contrário, com a volta do setor empresarial a outras opções de financiamento.
Segundo ele, o pacote de desoneração fiscal e facilidades de financiamento para o setor de bens de capital é uma tentativa de antecipação dos investimentos, que devem retomar normalmente em 2010. "Não estamos salvando afogados", disse, afirmando que o setor privado "não sofreu deterioração profunda" na crise.
Ainda em sua apresentação, o dirigente do banco afirmou que acredita em uma recuperação significativa da economia e, mesmo não tendo feito previsões para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, projetou um crescimento médio de 4% para os próximos quatro anos.
Os maiores riscos para esse desempenho, segundo ele, seriam um aumento explosivo do fluxo de capitais e uma explosão do déficit em conta corrente. Segundo ele, o País precisa mitigar essa tendência. "Mas em um cenário de recuperação gradual, nos próximos três, quatro anos o Brasil não sofreria maiores danos", diz.
Segundo ele, também não é "saudável" para a competição internacional uma trajetória persistente de valorização cambial no longo prazo. "O ingresso generoso de recursos de investimento não deve servir de desculpa para deixar o déficit subir", afirmou.
Leia mais sobre BNDES
