Com os 15 anos completados hoje, o Plano Real não se firma como o mais bem sucedido plano econômico brasileiro. Foi mais que isso: o mais bem sucedido projeto de controle do Estado, sem intervenção militar nem golpe político de que se tem notícia.
Em meu livro “Os Cabeças de Planilha” desenvolvo a tese que exporei na coluna, nos próximos dias, em comemoração ao aniversário do Real. É como um programa político, não econômico, que deve ser analisado. *** Há semelhanças enormes entre o período da redemocratização – chamado de Nova República – e o da Primeira República. O país sai de um modelo conservador, com poucos agentes controlando o Estado. A campanha pela redemocratização vai conquistando adeptos ao longo do caminho. Tomado o poder, ainda não existe uma coordenação entre os novos vitoriosos, um poder hegemônico. Há uma balburdia, já que a única bandeira que os unia a todos era o da redemocratização. *** No entanto, o próprio esgotamento do modelo anterior costuma ocorrer no bojo de uma crise econômica, exigindo novos instrumentos, novas saídas. No final do governo militar, o grande problema remanescente era o da inflação. É essa bandeira – o do combate à inflação – que se torna o grande elemento político aglutinador. Quem tivesse a solução do enigma inflacionário levaria o butim. *** Reside aí a fonte de grandes atrasos, a perda de rumo que caracterizou a economia brasileira pós-redemocratização, que fez o Brasil se tornar o último país do mundo a debelar a inflação, à custa da perda do dinamismo que sempre caracterizou a economia brasileira. No começo do século, partidos políticos se valeram dos “financistas” - brasileiros que vinham com as novas teorias econômicas mundiais – para conferir conteúdo aos seus programas políticos, desviando a atenção geral dos abusos que eram cometidos no exercício do poder. O Cruzado foi o ensaio do Real. No momento em que os mercados se internacionalizavam, que apareciam os novos agentes da riqueza – gestores de fundos -, que o grande capital brasileiro começava a sair do país, foi gestado o Cruzado. Era um plano tecnicamente impossível de dar certo. A economia era fechada, não havia importações para contrabalançar pressões de preço, a indexação era ampla, assim como o medo da recidiva da inflação. *** Foi um desastre que atrasou em anos a estabilização brasileira. Mesmo assim, passou algumas lições ao grupo financeiro que se organizaria, anos depois, em torno do Real: - O enorme apelo político, a mistura de macumba-moderna que caracterizava o plano e que permitiu a eleição massacrante dos candidatos do PMDB da época.
- As enormes possibilidades de riqueza fácil, dependendo da maneira como um programa de estabilização fosse conduzido.
- Definição de um pacto que assegurasse comando absoluto da política monetária e do livre fluxo de capitais, tirando qualquer possibilidade de controle externo sobre o Banco Central. O Real foi montado em cima desses pressupostos. Nesse sentido, foi amplamente bem sucedido, ainda que obrigasse o país a pagar um preço sem tamanho.
Meta de inflação em 2011 O CMN (Conselho Monetário Nacional) define a meta de inflação para 2011, e o mercado estima que ela deve ser a mesma de 2010: 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais. Os membros do conselho são os ministros da Fazenda, Guido Mantega, Planejamento (Paulo Bernardo) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Para Bernardo, o cumprimento da meta de 2011 ficará a cargo do novo governo, que “deve satisfação aos seus eleitores”. Superávit primário não será zerado A hipótese de o governo zerar a meta de superávit primário das contas públicas (economia para o pagamento de juros da dívida pública) é “estapafúrdia”, classificou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Para o ministro, o boato surgiu no mercado financeiro, para a realização de lucros. Contudo, a possibilidade de abater até 0,5% da meta por meio do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) não foi descartada. “Podemos usar”, admitiu. A meta deste ano é de 2,5% do PIB. Indústria paulista enfraquecida A atividade industrial paulista segue enfraquecida, apesar da recuperação do mês passado. De abril a maio, o INA (Indicador do Nível de Atividade) avançou 0,9%, de acordo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com ajuste sazonal. No entanto, o acumulado de janeiro a maior aponta queda de 12,5% na comparação com os mesmos meses de 2008. Já o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) subiu para 80,4% em maio, ante 78,9% em abril sem ajuste sazonal. Governo deixa de arrecadar R$ 9 bi O governo vai deixar de arrecadar cerca de R$ 9 bilhões em impostos com a isenção temporária de tributos como o IPI para carros, linha branca e materiais de construção, e do PIS e Cofins sobre a farinha de trigo e o pão francês. Os cálculos são da Receita Federal. Para o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, o governo terá que cortar despesas para compensar essa renúncia fiscal. Compra de carteiras de crédito O Banco Central anunciou a prorrogação por mais 90 dias do benefício dado aos bancos que comprarem carteiras de crédito de instituições de menor porte. Assim, o prazo se estende até 30 de setembro. "Dependendo das condições de mercado, no fim desse período, o BC poderá iniciar processo de redução paulatina do incentivo", afirma a autoridade monetária. O banco que comprar carteiras de crédito tem abatimento integral do valor da aquisição no recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo. China deve puxar recuperação mundial O fim da crise econômica se encerrará quando a China mostrar recuperação, afirmou o Banco Mundial. Na visão de Mansoor Dailami, um dos economistas da entidade, o crescimento chinês será significativo, pois representará um terço do crescimento global durante os dois próximos anos. A partir de 2010, Dailami afirma que a recuperação será fundamentada nas economias ricas, responsáveis por mais da metade dos 2% do crescimento mundial previsto.
