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Os 15 anos do Plano Real - 1

01/07/2009 - 07:01 - Luís Nassif, colunista do Último Segundo

Com os 15 anos completados hoje, o Plano Real não se firma como o mais bem sucedido plano econômico brasileiro. Foi mais que isso: o mais bem sucedido projeto de controle do Estado, sem intervenção militar nem golpe político de que se tem notícia.

Em meu livro “Os Cabeças de Planilha” desenvolvo a tese que exporei na coluna, nos próximos dias, em comemoração ao aniversário do Real. É como um programa político, não econômico, que deve ser analisado.

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Há semelhanças enormes entre o período da redemocratização – chamado de Nova República – e o da Primeira República. O país sai de um modelo conservador, com poucos agentes controlando o Estado. A campanha pela redemocratização vai conquistando adeptos ao longo do caminho. Tomado o poder, ainda não existe uma coordenação entre os novos vitoriosos, um poder hegemônico. Há uma balburdia, já que a única bandeira que os unia a todos era o da redemocratização.

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No entanto, o próprio esgotamento do modelo anterior costuma ocorrer no bojo de uma crise econômica, exigindo novos instrumentos, novas saídas.

No final do governo militar, o grande problema remanescente era o da inflação. É essa bandeira – o do combate à inflação – que se torna o grande elemento político aglutinador. Quem tivesse a solução do enigma inflacionário levaria o butim.

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Reside aí a fonte de grandes atrasos, a perda de rumo que caracterizou a economia brasileira pós-redemocratização, que fez o Brasil se tornar o último país do mundo a debelar a inflação, à custa da perda do dinamismo que sempre caracterizou a economia brasileira.

No começo do século, partidos políticos se valeram dos “financistas” - brasileiros que vinham com as novas teorias econômicas mundiais – para conferir conteúdo aos seus programas políticos, desviando a atenção geral dos abusos que eram cometidos no exercício do poder.

O Cruzado foi o ensaio do Real. No momento em que os mercados se internacionalizavam, que apareciam os novos agentes da riqueza – gestores de fundos -, que o grande capital brasileiro começava a sair do país, foi gestado o Cruzado.

Era um plano tecnicamente impossível de dar certo. A economia era fechada, não havia importações para contrabalançar pressões de preço, a indexação era ampla, assim como o medo da recidiva da inflação.

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Foi um desastre que atrasou em anos a estabilização brasileira. Mesmo assim, passou algumas lições ao grupo financeiro que se organizaria, anos depois, em torno do Real:

  1. O enorme apelo político, a mistura de macumba-moderna que caracterizava o plano e que permitiu a eleição massacrante dos candidatos do PMDB da época.
  2. As enormes possibilidades de riqueza fácil, dependendo da maneira como um programa de estabilização fosse conduzido.
  3. Definição de um pacto que assegurasse comando absoluto da política monetária e do livre fluxo de capitais, tirando qualquer possibilidade de controle externo sobre o Banco Central. O Real foi montado em cima desses pressupostos. Nesse sentido, foi amplamente bem sucedido, ainda que obrigasse o país a pagar um preço sem tamanho.

Meta de inflação em 2011

O CMN (Conselho Monetário Nacional) define a meta de inflação para 2011, e o mercado estima que ela deve ser a mesma de 2010: 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais. Os membros do conselho são os ministros da Fazenda, Guido Mantega, Planejamento (Paulo Bernardo) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Para Bernardo, o cumprimento da meta de 2011 ficará a cargo do novo governo, que “deve satisfação aos seus eleitores”.

Superávit primário não será zerado

A hipótese de o governo zerar a meta de superávit primário das contas públicas (economia para o pagamento de juros da dívida pública) é “estapafúrdia”, classificou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Para o ministro, o boato surgiu no mercado financeiro, para a realização de lucros. Contudo, a possibilidade de abater até 0,5% da meta por meio do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) não foi descartada. “Podemos usar”, admitiu. A meta deste ano é de 2,5% do PIB.

Indústria paulista enfraquecida

A atividade industrial paulista segue enfraquecida, apesar da recuperação do mês passado. De abril a maio, o INA (Indicador do Nível de Atividade) avançou 0,9%, de acordo com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com ajuste sazonal. No entanto, o acumulado de janeiro a maior aponta queda de 12,5% na comparação com os mesmos meses de 2008. Já o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) subiu para 80,4% em maio, ante 78,9% em abril sem ajuste sazonal.

Governo deixa de arrecadar R$ 9 bi

O governo vai deixar de arrecadar cerca de R$ 9 bilhões em impostos com a isenção temporária de tributos como o IPI para carros, linha branca e materiais de construção, e do PIS e Cofins sobre a farinha de trigo e o pão francês. Os cálculos são da Receita Federal. Para o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto, o governo terá que cortar despesas para compensar essa renúncia fiscal.

Compra de carteiras de crédito

O Banco Central anunciou a prorrogação por mais 90 dias do benefício dado aos bancos que comprarem carteiras de crédito de instituições de menor porte. Assim, o prazo se estende até 30 de setembro. "Dependendo das condições de mercado, no fim desse período, o BC poderá iniciar processo de redução paulatina do incentivo", afirma a autoridade monetária. O banco que comprar carteiras de crédito tem abatimento integral do valor da aquisição no recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo.

China deve puxar recuperação mundial

O fim da crise econômica se encerrará quando a China mostrar recuperação, afirmou o Banco Mundial. Na visão de Mansoor Dailami, um dos economistas da entidade, o crescimento chinês será significativo, pois representará um terço do crescimento global durante os dois próximos anos. A partir de 2010, Dailami afirma que a recuperação será fundamentada nas economias ricas, responsáveis por mais da metade dos 2% do crescimento mundial previsto.





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