RIO - O volume de minério de ferro vendido pela Vale para a China no primeiro trimestre representou 26,3% do total comprado pelo país asiático no primeiro trimestre. Segundo o diretor executivo de finanças e relações com investidores da mineradora brasileira, Fábio Barbosa, foram vendidos 34 milhões de toneladas para o país asiático, que só em maio teria adquirido 56 milhões de toneladas de minério do exterior.
Barbosa, que participou de palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), no Rio de Janeiro, ressaltou que os mercados asiáticos, notadamente a China, estão respondendo mais rapidamente contra os efeitos da crise financeira internacional. Segundo ele, as atuais estimativas de crescimento da economia chinesa este ano estão ao redor de 7,5%, depois de terem atingido os 3% no auge da crise financeira.
"Nossa visão é que o caso da transformação secular que está sendo observada nas economias emergentes não mudou", afirmou Barbosa. "É muito pouco realista alguém imaginar, conhecendo a China e a Índia, que esses países vão se contentar com o nível de desenvolvimento alcançado", acrescentou.
Para o executivo, já há sinais de que o pior momento da crise já passou, embora seus efeitos ainda possam ser observados. Barbosa ponderou ainda que o crescimento dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) ainda não é robusto o suficiente para garantir a plena recuperação da economia global. O diretor da Vale lembrou que os consumidores dos Estados Unidos gastam US$ 10 trilhões por ano, enquanto o consumo combinado em todos os BRICs é de US$ 2,5 trilhões anuais.
"Por mais que você mova a roda dos BRICs, você não vai conseguir mover na mesma velocidade", disse. "As economias europeias e dos Estados Unidos têm que dar sinais de vitalidade porque é isso que vai trazer de volta a economia mundial para uma trajetória mais favorável", enfatizou.
Questionado sobre a atuação da Vale no mercado chinês de minério de ferro, Barbosa evitou determinar se a mineradora tem atuado no mercado à vista.
"Estamos lidando no dia a dia com o que está acontecendo. A dinâmica futura do mercado vai ser definida à medida que se tiver clareza de como os mercados vão reagir ao sistema de precificação que está em vigor", limitou-se a comentar o executivo.
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