24/06/2009 -
16:11
, atualizada às 16:36 24/06 -
Klinger Portella, do Último Segundo
Ao anunciar, na tarde desta quarta-feira, a manutenção da taxa de juros da economia norte-americano entre 0% e 0,25% ao ano – o menor patamar da história – o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) confirmou as expectativas do mercado. Entretanto, na avaliação de analistas ouvidos pelo Último Segundo, ainda neste ano deve haver uma retomada nas altas dos juros nos Estados Unidos.
Para o economista Miguel Daoud, consultor da Global Financial Advisor, a decisão desta quarta-feira sinaliza que o banco central norte-americano deve aumentar os juros dos Estados Unidos ainda em 2009.
“O plano de socorro feito pelo governo dos Estados Unidos, com uma injeção de recursos desproporcional, vai exigir uma correção das taxas de juros, para financiar esse déficit”, considerou Daoud. “O mercado já vinha pressentindo que as taxas subiriam até o final deste ano, e as taxas futuras anteciparam isso”, completou.
Para Inês Filipa Marques Pereira, economista da Arkhe Corretora, o mercado aguardava mais sinalizações sobre os rumos da atuação do Fed para garantir maior liquidez ao mercado. “Fiquei surpresa com o anúncio, porque o Fed se manteve em linha com os comentários da última reunião. Esperava que ele fosse sinalizar alguma coisa em relação à compra de título e às medidas que tem adotado para aumentar a liquidez do mercado”, avaliou.
Com a retomada da alta dos juros nos Estados Unidos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro deverá interromper o ciclo de queda de juros aqui no Brasil também, na avaliação de Daoud. “Aqui, o Banco Central deve fazer mais um corte de juros e interrompe o processo para que, no ano que vem, volte a aumentar a taxa”, apostou.
Segundo Daoud, além das pressões inflacionárias, o custo alto da rolagem da dívida pública também deve motivar a alta dos juros. “Nesse momento, o que estamos vendo é que, apesar de a inflação estar projetada para ficar abaixo do centro da meta, há uma escassez de recursos, que acaba aumentando o custo do dinheiro. A taxa de juros não é apenas um instrumento de política monetária. E o Banco Central não poderá ficar atrás desse processo”, finalizou.
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