19/06/2009 -
17:27
, atualizada às 18:50 19/06 -
Redação com agências
Depois de quatro pregões seguidos de baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a fechar em terreno positivo. O índice Ibovespa – principal referência do mercado nacional – encerrou a sexta-feira (19) em alta de 0,92%, aos 51.373 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,77 bilhões. Apesar do resultado de hoje,a Bovespa encerra a semana com queda acumulada de 4%.
A sexta-feira foi uma sessão de respiro, possível após uma quinta-feira de boas notícias e indicadores favoráveis. Na avaliação do analista de investimentos da Spinelli Jayme Alves, o giro fraco, no entanto, reforça o comportamento lateral da Bolsa visto nos últimos dias, com a falta de estímulo para conduzir os índices para onde quer que seja. "O investidor não quer tomar posição. Vai ficar em stand by, à espera de novidades mais concretas", comentou ao lembrar que logo começa mais uma temporada de balanços corporativos.
O setor financeiro foi destaque de alta, assim como as ações da BM&FBovespa, que avançaram embaladas pela redução da taxa básica de juros (Selic), com consequente queda na remuneração dos investimentos de renda fixa. Bradesco PN teve alta de 0,96%, Itaú Unibanco PN, 1,53%, BB ON, 2,44%, BM&FBovespa ON, 3,18%.
Petrobras também foi destaque de alta. A ação ordinária (ON) subiu 1,25% e a preferencial (PN), 0,60%. Ontem à noite, a estatal anunciou que a produção total de petróleo e gás natural, considerando os campos do Brasil e do exterior, cresceu 7,6% em maio na comparação com maio do ano passado e 1,1% ante abril.
Apesar da alta dos metais, Vale caiu: a ON perdeu 0,11% e a PNA recuou 0,35%. Hoje, a mídia da província chinesa de Shanxi informou que as siderúrgicas locais assinaram acordos de fornecimento de minério de ferro com Vale, Rio Tinto e BHP Billiton.
Destaque da sessão hoje foi Redecard ON, que subiu 5,87%, na terceira maior elevação do Ibovespa. A proximidade da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da concorrente VisaNet ajudou a explicar esse movimento. Na operação da VisaNet, o período de reserva de ações da oferta secundária termina na quarta-feira da próxima semana. O início da negociação dos papéis em bolsa está previsto para o dia 29 de junho.
Para o sócio da MH Investimentos, Marcelo Chakmati, outro ponto a favorecer o mercado são as indicações dadas pelo governo de que os fundos de pensão vão poder ampliar compras em bolsa. Segundo o especialista, o patrimônio desses fundos é enorme e, mesmo que apenas uma fração venha para a Bovespa, a quantidade é significativa.
O que tira um pouco do brilho da recuperação de hoje é o baixo volume negociado. Segundo Chakmati, não são os estrangeiros que estão na ponta compradora; são os investidores locais remontando algumas posições.
Dólar
Após operar em queda de quase 1%, o dólar ganhou força e terminou as negociações desta sexta-feira (19) estável frente ao real. A moeda americana fechou cotada a R$ 1,974, sem alterações frente à vespera. Já no acumulado da semana, o dólar apontou elevação de 2,4%.
Novamente, o pregão foi marcado pelas atuações do Banco Central (BC) no mercado cambial. A autoridade monetária realizou mais um leilão visando à rolagem dos contratos de swap cambial que vencerão em 1º de julho de 2009.
O BC colocou 56% do lote de 12. 930 contratos que ofertou. A operação movimentou US$ 351,8 milhões. Ontem, a autoridade monetária rolou 66% do lote ofertado, ou US$ 1,09 bilhão.
Os swaps cambiais tradicionais funcionam como uma venda futura de dólares ao mercado. Neles, o mercado ganha quando a variação do dólar supera a do juro.
O BC também manteve as atuações no mercado à vista, comprando a divisa dos EUA em leilão. De acordo com comunicado do Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin), a operação teve início às 12h20 e terminou às 12h30. A taxa aceita ficou em R$ 1,9583.
Fatores
"Hoje foram os swaps (cambiais tradicionais) que fizeram o dólar cair. Com a venda desses contratos, o mercado (de câmbio) se acalmou e tirou a pressão do dólar", avaliou Clodoir Vieira, economista-chefe da Corretora Souza Barros, quando o dólar ainda apontava baixa.
Segundo o gerente de tesouraria do banco Alfa de Investimento, Gerson de Nobrega, o mercado tende a forçar a cotação do dólar para baixo até o dia da formação do preço para o início dos novos contratos. "Os bancos tendem a forçar a cotação do dólar para baixo até o dia 30 de junho para aumentar o retorno de suas posições com a compra do swap cambial."
(Com informações do Valor Online, Reuters e Agência Estado)
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