10/06/2009 -
20:08
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Klinger Portella, do Último Segundo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou a queda de 1 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), que ficou em 9,25% ao ano. Foi a primeira vez na história que os juros ficaram abaixo dos 10% ao ano. Entretanto, segundo especialistas ouvidos pelo Último Segundo, a trajetória de queda dos juros deve ser “esfriada”, diante dos sinais de melhora da economia brasileira.
O Banco Central confirmou a tendência de "parcimônia" nas próximas reuniões. "Levando em conta que mudanças da taxa básica de juros têm efeitos sobre a atividade econômica e sobre a dinâmica inflacionária que se acumulam ao longo do tempo, o Comitê concorda que qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa", assinala em comunicado.
Para o economista Roberto Troster, da Integral Trust e ex-economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), há sinais de que o pior da crise internacional já tenha passado, o que reduziria a necessidade de políticas anticíclicas de estímulo econômico, como o corte de juros.
“Os índices de atividade por aqui continuam fracos, mas melhores do que todos estimavam, o que é muito positivo. Os números do PIB mostraram uma recessão menor e não há pressões inflacionárias”, destaca.
Para Troster, o Copom ainda deve promover novos cortes nos juros nas próximas reuniões, embora em ritmo mais lento, fazendo com que a Selic encerre o ano em até 8,75%. O patamar também é projetado pelo economista-chefe do Banco Itaú, Tomas Málaga. “Os dados do PIB e de inflação nos fazem pensar que o Copom vai manter os cortes na Selic, mas em um ritmo mais moderado”, considera.
Para o ano que vem, Málaga acredita que a taxa fique entre 8,75% e 8,25% ao ano. “Acreditamos que os juros ainda podem cair um pouco mais, mas isso em caso de a recuperação econômica não trazer nenhuma pressão inflacionária. Isso começa a ficar mais claro no segundo semestre. Nossa expectativa é de juros declinantes, talvez também em 2010, com corte máximo de até 0,50 ponto”, completa.
Alguns economistas, entretanto, acreditam que a Selic já interrompeu a trajetória de queda nesta reunião do Copom. É o que defende Thais Marzola Zara, da Rosenberg & Associados. “Estamos muito próximos do fim desse ciclo de relaxamento monetário. Tivemos uma sequência de cortes desde o começo do ano, visando justamente prover um alento para a atividade econômica, que tinha sofrido muito no quarto trimestre de 2008. Já vemos uma recuperação da atividade, embora o ritmo ainda esteja fraco. Está chegando o momento de o Copom parar a avaliar os próximos passos.”
Avaliação semelhante é defendida por Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Antes da divulgação do PIB estávamos com projeção de corte de 1 ponto percentual da Selic para esta reunião”, afirma. “O importante para o BC não é o retrato passado do PIB, mas o que ele traz de perspectiva para demanda, que sempre será a preocupação do BC. Acho que estamos chegando no fim dos aumentos. A Selic deve chegar a alguma coisa próxima de 9%, talvez tendo mais uma queda de 0,5 ponto na reunião de julho e pararia por ai.”
Vale destaca que, para 2010, os rumos da Selic dependerão da permanência de Henrique Meirelles à frente do Banco Central – o atual presidente da autoridade monetária pode deixar o cargo ainda neste ano para se candidatar ao governo de Goiás. “Além disso, dependerá se a demanda voltará a subir rapidamente ou não. Creio que não é o caso ainda de se preocupar nem com demanda nem com inflação”, conclui.
Patamar para comemorar
Ver a taxa Selic abaixo dos 10% é um fato a ser comemorado. Entretanto, não há indícios de que os juros não voltem a subir para a casa dos dois dígitos novamente. “Não será uma taxa permanentemente baixa. O Banco Central precisará subir em algum momento no futuro, talvez em 2010, mas está muito cedo ainda. Ele deve ficar um bom tempo com a Selic baixa até voltar a subir, diria que todo o ano de 2009 pelo menos”, projeta Sérgio Vale, da MB Associados.
Para Tomas Málaga, do Banco Itaú, a comemoração fica por conta da estabilidade dos preços. “A Selic nunca esteve abaixo dos 10%, mas a taxa de juros real já esteve até mais baixa do que está agora. Mas nunca houve uma estabilidade de preço. Acho que isso é uma coisa para celebrar. É uma meta alcançada, uma realização da política monetária brasileira”, finaliza.
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