02/06/2009 -
11:33
, atualizada às 18:59 02/06 -
Klinger Portella, do Último Segundo
A unidade brasileira da General Motors será alocada na "Nova GM" - a parte da montadora norte-americana que reunirá os ativos saudáveis no processo de concordata da matriz, pedida ontem nos EUA. A informação foi dada nesta terça-feira (2) pelo presidente da GM do Brasil e operações Mercosul, Jaime Ardila.
A ambição do governo dos EUA é que a companhia deixe a concordata em um prazo de 60 a 90 dias. Durante esse processo, a GM será dividida em duas: a "Nova GM" e a "Velha GM", que inclui partes da empresa que eventualmente serão liquidadas. "O governo dos EUA será dono da 'Nova GM' e da GM do Brasil por um tempo".
Fabio Gonzalez/ABC Imagem

Ardila (D) ao lado do vice-presidente José Carlos Pinheiro Neto
Segundo ele, a subsidiária - que emprega cerca de 21 mil pessoas no país e possui três fábricas - não pretende fazer demissões ou contratações e opera a plena capacidade.
Saúde
Segundo Ardila, a GM do Brasil não vai precisar de recursos da matriz por pelo menos cinco anos. Segundo ele, desde 2005 a matriz não investe no Brasil, porque a companhia passou a ser lucrativa. “Nós nunca consideramos vender a GM do Brasil”, diz o presidente
“Em termos financeiros, a GM Brasil é saudável. Teve em 2008 o melhor ano da história e tem em 2009 um ano lucrativo. Para nós, há a tranquilidade de que a GM vai financiar os seus produtos e financiamentos. A GM (Brasil) não precisa de ajuda da matriz desde 2005", anuncia Ardila.
Investimentos
O executivo assegurou que os investimentos de US$ 2,5 bilhões programados para o período de 2007 a 2012 serão mantidos. Desse total, cerca de US$ 2 bilhões referem-se ao Brasil e os US$ 500 milhões restantes a uma linha de produção na Argentina.
Do montante total, US$ 1,5 bilhão já foi levantado e US$ 1 bilhão já investido. “Vamos manter o nosso plano agressivo de investimentos até 2012. Esses investimentos precisarão de US$ 1 bilhão adicionais. Esses investimentos serão financiados com recursos próprios da GM do Brasil. Temos liquidez suficiente para financiar os projetos”, afirmou.
Apesar de garantir a liquidez, a companhia não descarta a possibilidade de recorrer a financiamentos para seguir com os investimentos previstos.
Entre os projetos da montadora para este ano, Ardila destaca o lançamento da família Viva, com o primeiro modelo com lançamento previsto para o último trimestre deste ano, com investimentos de R$ 500 milhões. Já para 2010, a expectativa é lançar quatro outros modelos.
Mercado aquecido
A manutenção dos projetos da General Motors no Brasil está associada ao "mercado aquecido", segundo Ardila. Ele afirmou que a companhia vendeu 47,8 mil unidades no mês de maio, um crescimento de 2% frente a igual período do ano passado e de 17% na comparação com abril deste ano. A companhia manteve no mês um market share de 20%.
Segundo o presidente da GM Brasil, a marca não corre risco de sofrer impactos significativos por conta das notícias envolvendo a matriz norte-americana. "Em janeiro, nossa participação de marcado era de 20% e isso foi mantido em maio. As vendas hoje refletem que a situação está normal."
Ardila garantiu, ainda, que o consumidor brasileiro não sofrerá com a concordata da companhia nos Estados Unidos. Ele assegurou que fábricas não serão fechadas e que o fornecimento de peças será mantido.
Tecnologia
De acordo com o presidente da GM Brasil, há uma independência da subsidiária com relação à produção de veículos. "A maioria dos nossos produtos é desenvolvida aqui. Nosso centro tecnológico é um dos mais avançados do mundo. Para os próximos anos, a expectativa é que cerca de 90% do nosso volume seguirá desenvolvido aqui."
Ardila destacou que o centro tecnológico brasileiro gerou uma receita líquida de US$ 430 milhões com a exportação de tecnologia flex e de tecnologia para carros pequenos e pick-ups. "Somente em 2008, exportamos US$ 165 milhões em tecnologia."
Novo começo
Em comunicado oficial divulgado ontem, a General Motors confirmou que pediu concordata. “Hoje (segunda-feira), é um novo começo para a General Motors”, afirma o documento oficial. “Um processo de transferência de ativos vai permitir que a 'Nova GM' apareça como uma companhia mais forte, mais saudável e mais focada", completa.
O conselho da empresa diz que há “transformação vai maximizar o valor da companhia e o retorno dos muitos acionistas que estão envolvidos com a GM ao longo dos anos”.
O pedido foi feito no tribunal de falências do distrito sul de Nova York, segundo um documento divulgado no site do tribunal. A montadora tinha dívidas no valor de US$ 172,8 bilhões, segundo informação publicada no site do jornal "New York Times".
(Com informações da Reuters)
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