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Funcionários da GM no Brasil dizem ter fé na recuperação da matriz

02/06/2009 - 12:18 - Agência Estado

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A opinião do metalúrgico Jair Nery de Andrade, de 45 anos, dá uma ideia de como se sente o trabalhador da General Motors (GM) no País sobre o pedido de concordata nos EUA. "A matriz é a mãe, e é triste ver uma mãe abalada", resume, no fim do expediente em São Caetano do Sul (SP), sede da GM do Brasil.

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  • Os funcionários brasileiros não se sentem confortáveis com a situação da matriz nos Estados Unidos, mas estão confiantes no desempenho da filial brasileira. "A produção aqui está boa, vamos dar a volta por cima", afirma Andrade.

    O Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul adota posicionamento semelhante. "O que acontecer lá não vai afetar a nossa produção aqui, que reagiu bem ao corte do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados)", diz o vice-presidente da entidade, Francisco Nunes Rodrigues.

    Crise

    A preocupação de Andrade é de cunho mais indireto. Ele acredita que a concordata pode prejudicar a imagem da marca. "A crise envolve o nome General Motors, e isso pode fazer com que o consumidor deixe de comprar." Ele cita como exemplo a preocupação da esposa e os filhos com as notícias da concordata da GM nos EUA.

    Outro temor do funcionário, que trabalha como pintor na linha de produção, é com a velocidade da degradação econômica que "pegou o trabalhador de surpresa". Um ritmo que ele não tinha visto nas crises anteriores pelas quais passou. A primeira foi quando tentou entrar na GM, em 1981. Na ocasião, foi informado que só seria contratado se o novo modelo que seria lançado vendesse bem. "Eles lançaram o Monza e eu fui chamado para trabalhar em 1984."

    Ex-gigante

    O metalúrgico aposentado Benedito Alves de Oliveira, de 65 anos, atravessou pelo menos três crises durante os 33 anos em que trabalhou na GM. A diferença entre essa crise atual e as anteriores é que a matriz foi fortemente afetada. Na época, diz, a matriz era vista como um símbolo do poder. "Era uma gigante que até o ano passado ainda era a maior do mundo."

    Oliveira começou a trabalhar na GM em 1973, depois de ter passado pela Ford e Volkswagen. "Quando entrei, a GM brasileira era o sonho de qualquer trabalhador da área, porque pagava melhor, e dava mais liberdade", afirma. Desde que mudou entrou na GM , manteve-se fiel à empresa. Todos os oito carros que teve foram da marca Chevrolet, desde o primeiro Chevette.

    No comércio do entorno da GM em São Caetano, o clima também é de apreensão. "Somos o primeiro dominó da fileira. Se a GM cair, seremos os próximos", diz o proprietário da lanchonete Okinawa, Marcos Thi Ng. O empresário já sentiu o impacto das férias coletivas concedidas no fim do ano passado e início deste ano.

    "O movimento caiu bastante e afetou os nossos fornecedores. Na verdade, afeta toda a cidade, até o trânsito acaba, tudo gira em torno da GM." São Caetano do Sul emprega a maior parte dos funcionários da GM do Brasil - 9.542 mil, de um total de 21 mil.

    Leia mais sobre a General Motors

     





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