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Dólar mantém trajetória de queda e fecha a R$ 1,954; Bovespa sobe

01/06/2009 - 16:30 , atualizada às 16:45 01/06 - Redação com agências

O dólar manteve a tendência de queda na abertura da semana. A moeda norte-americana encerrou o pregão desta segunda-feira (01) em baixa de 1,06%, cotado a R$ 1,954. Foi a sétima queda consecutiva da moeda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em alta de 2,21%, por volta das 16h21.




Durante a tarde, o dólar atingiu o menor nível ante o euro. No final do dia, a divisa operava praticamente estável ante uma cesta com as principais moedas.

"O cenário lá fora está tranquilo. As bolsas (de valores) estão subindo, inclusive a Bovespa, e isso é um indicativo de fluxo para o país", avaliou Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper.

Knauer se referiu às bolsas de valores dos Estados Unidos, que exibiam fortes altas após a divulgação de dados econômicos fortes, que estimulavam o otimismo em investidores, em meio à percepção de que o pior da crise global ficou para trás.

O gerente de câmbio lembrou que os investidores estrangeiros têm voltado ao Brasil por acreditarem que o país ainda oferece alta rentabilidade às suas aplicações.

A euforia com a economia brasileira tem como reflexo o forte fluxo de entrada de dólares na Bovespa. Até 27 de maio, o ingresso de recursos para a bolsa doméstica somava cerca de R$ 5,6 bilhões.

A entrada de dólares tem ocorrido também pelo segmento comercial. Segundo números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados nesta segunda-feira, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,6 bilhões em maio, aumentando o saldo acumulado no ano para US$ 9,3 bilhões.

O Banco Central (BC) manteve as atuações diárias no câmbio e voltou a comprar dólares hoje em leilão no mercado à vista. De acordo com comunicado do Departamento de Operações de Reservas Internacionais (Depin), a operação teve início às 15h10 e terminou às 15h20. A taxa aceita ficou em R$ 1,9435.

Para o operador da B&T Corretora de Câmbio, Marcos Forgione, a tendência de queda do dólar ante o real deve permanecer neste mês, principalmente lastreada pelo ingresso de recursos na Bovespa.

Entretanto, Forgione pondera que "ainda estamos num momento de crise e não devemos nos iludir com esses momentos de melhora no cenário (econômico)".

Cenário externo

No lado econômico, o destaque do dia foi a notícia sobre a concordata da General Motors (GM). A companhia entrou com pedido de proteção sob a lei de falência agora pela manhã e inicia, assim, um processo de reestruturação com ajuda do governo americano, que ficará com cerca de 60% do capital e emprestará outros US$ 30 bilhões à montadora.

Além disso, os investidores analisam os dados sobre a renda e o gasto dos americanos. Em abril, o gasto caiu 0,1%, abaixo do esperado, enquanto a renda subiu 0,5%, maior acréscimo em quase um ano.

Já a atividade manufatureira do país teve recuo mais modesto em maio. O indicador que mede o desempenho dessa atividade ficou em 42,8 contra os 40,1 de abril, mostrou o Institute for Supply Management (ISM) em nota. Qualquer leitura abaixo de 50 significa recuo.

Internamente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou que a produção industrial brasileira recuou 14,8% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. Já em relação a março, houve alta de 1,1%.

Já a pesquisa CNT/Sensus apresentada nesta segunda-feira apontou que 55,9% dos brasileiros acredita que o País vai sair fortalecido da crise econômica internacional. O dado colabora com o índice de expectativa, que subiu de 65,90, em março, para 69,93, mostrando que a população acredita em melhorias nos próximos seis meses nas áreas de segurança, saúde, educação, emprego e renda.

Bolsa

No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta nesta segunda-feira (01), dia do pedido de concordata da montadora norte-americana Genral Motors. Por volta das 16h21, o índice Ibovespa, o principal da Bolsa paulista, subia 2,21%, aos 54.374 pontos.

Segundo o superintendente da Banif Corretora, Raffi Dokuzian, fora a questão envolvendo a GM, as outras notícias são todas positivas e o fluxo estrangeiro em direção à Bovespa segue forte. "Não tem como ir contra a maré", resume.

Dados da própria Bovespa apontam que, no acumulado do mês de maio até o dia 27, o saldo estrangeiro somava R$ 5,64 bilhões, o maior desde abril do ano passado. Com isso, o saldo do ano estava em R$ 10,76 bilhões.

Na visão do especialista, os investidores continuam antecipando que 2010 será um ano de recuperação. Outro fator que ajuda a explicar essa forte valorização do Ibovespa é que semana que vem a taxa básica de juros brasileira vai estar em dígito. "A renda fixa deixa de ser um porto seguro em termos de rentabilidade", diz Dokuzian, apontando que o investidor terá que correr mais risco para rentabilizar seu capital.

(Com informações da Reuters e do Valor Online)

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