01/06/2009 -
17:22
, atualizada às 18:27 01/06 -
Redação com agências
No dia do pedido de concordata da montadora norte-americana General Motors (GM), a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão desta segunda-feira (01) em alta de 2,53%, atingindo os 54.543 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,493 bilhões. Já o dólar acentuou as quedas e fechou a R$ 1,954.
Entre os ativos de maior peso na carteira, Petrobras PN subiu 2,29%, para R$ 35,24; Vale PNA avançou 3,96%, a R$ 33,79; Itaú Unibanco PN ganhou 2,82%, para R$ 32,78; BM & FBovespa ON aumentou 3,60%, cotada a R$ 11,79; e Bradesco PN teve valorização de 1,74%, a R$ 30,38.
O bom humor por aqui está alinhado com o observado em Wall Street, onde os agentes recebem com alívio a notícia sobre a concordata da General Motors (GM). A companhia entrou com pedido de proteção sob a lei de falência agora pela manhã e inicia, assim, um processo de reestruturação com ajuda do governo americano, que ficará com cerca de 60% do capital e emprestará outros US$ 30 bilhões à montadora.
No lado econômico, os investidores analisam os dados sobre a renda e o gasto dos americanos. Em abril, o gasto caiu 0,1%, abaixo do esperado, enquanto a renda subiu 0,5%, maior acréscimo em quase um ano.
Já a atividade manufatureira do país teve recuo mais modesto em maio. O indicador que mede o desempenho dessa atividade ficou em 42,8 contra os 40,1 de abril, mostrou o Institute for Supply Management (ISM) em nota. Qualquer leitura abaixo de 50 significa recuo.
Em Wall Street, a semana também começou de forma positiva. Ao final do pregão, o Dow Jones marcava alta de 2,60%, aos 8.721 pontos. O S & P 500 subiu 2,58%, para 942 pontos, e o Nasdaq avançou 3,06%, a 1.828 pontos.
Na Europa, o dia foi de valorização, com destaque para as empresas de commodities. Na Ásia, a segunda-feira encerrou com tom positivo nos principais mercados. Tóquio e Seul avançaram 1,63% e 1,38%, respectivamente. Na China, Hong Kong fechou com expansão de 3,95% e Xangai se valorizou 3,36%.
Maré positiva
Segundo o superintendente da Banif Corretora, Raffi Dokuzian, fora a questão envolvendo a GM, as outras notícias são todas positivas e o fluxo estrangeiro em direção à Bovespa segue forte. " Não tem como ir contra a maré", resume.
Dados da própria Bovespa apontam que, no acumulado do mês de maio até o dia 27, o saldo estrangeiro somava R$ 5,64 bilhões, o maior desde abril do ano passado. Com isso, o saldo do ano estava em R$ 10,76 bilhões.
Na visão do especialista, os investidores continuam antecipando que 2010 será um ano de recuperação. Outro fator que ajuda a explicar essa forte valorização do Ibovespa é que semana que vem a taxa básica de juros brasileira vai estar em dígito. " A renda fixa deixa de ser um porto seguro em termos de rentabilidade " , diz Dokuzian, apontando que o investidor terá que correr mais risco para rentabilizar seu capital.
No dia 10 de junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) apresenta sua decisão sobre a taxa de juro e o consenso aponta para corte de 0,75 ponto percentual, que levaria a Selic de 10,25% para 9,5% ao ano.
O que traz certa preocupação, segundo Dokuzian, é que a Bovespa não passa por realização de lucro. "O mercado tem muita força. Só passará por correção em cima de um fato muito ruim, como números de crescimento interno e externo aquém do esperado."
Dólar
O dólar manteve a tendência de queda na abertura da semana. A moeda norte-americana encerrou o pregão desta segunda-feira (01) em baixa de 1,06%, cotado a R$ 1,954. Foi a sétima queda consecutiva da moeda.
Durante a tarde, o dólar atingiu o menor nível ante o euro. No final do dia, a divisa operava praticamente estável ante uma cesta com as principais moedas. "O cenário lá fora está tranquilo. As bolsas (de valores) estão subindo, inclusive a Bovespa, e isso é um indicativo de fluxo para o país", avaliou Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper.
Para o operador da B&T Corretora de Câmbio, Marcos Forgione, a tendência de queda do dólar ante o real deve permanecer neste mês, principalmente lastreada pelo ingresso de recursos na Bovespa.
Entretanto, Forgione pondera que "ainda estamos num momento de crise e não devemos nos iludir com esses momentos de melhora no cenário (econômico)".
(Com informações da Reuters e do Valor Online)
Leia também:
Publicidade