09/05/2009 -
06:47
Sarah Barros
Apesar da confirmação de seis casos de "gripe suína" (rebatizada de gripe A H1N1 pela OMS) no Brasil, exportadores ouvidos pela reportagem do Último Segundo não acreditam que a carne brasileira possa sofrer embargo.
Eles avaliam que ainda é cedo para prever restrições, mas esperam que a divulgação de mais informações sobre a atuação da doença e a reputação do produto nacional diminua o impacto sobre o mercado. A confirmação de doentes pelo mundo, especialmente no México, nos Estados Unidos e no Canadá, levou vários países a embargar a compra de carne suína.
Para o presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, a reputação dos produtos brasileiros é um trunfo do setor. Ele espera até mesmo que os produtores brasileiros ocupem espaços abertos com os embargos aos mexicanos e norte-americanos.
No mercado interno, a chegada do inverno também deve aquecer o setor. "Pouco a pouco se percebe que não há relação da doença com a carne suína. No inverno, há o aumento do consumo e mesmo no mercado externo, vemos oportunidades de crescimento", pontua Salazar.
Medida comercial
Para o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Inácio Kroetz, além de uma natural precaução diante de uma doença desconhecida, o embargo foi uma medida adotada pelos governos visando também questões comerciais.
"Seria um meio de obter melhores preços ou proteger os mercados internos. Mas o mercado deve voltar ao normal porque é uma estratégia que não se sustenta", destacou.
Contatos em dia
Por parte do Brasil, Kroetz informou que o ministério mantém contatos diários com compradores russos, principais clientes brasileiros para a carne suína e um dos países a embargar produtos mexicanos, canadenses e norte-americanos. Segundo ele, não há interesse dos importadores em suspender as compras com o Brasil. "Eles solicitaram apenas que sejam informados diante de qualquer suspeita de infecção de rebanhos brasileiros", afirmou o secretário.
Mesmo em caso de contaminação, o acordo é manter a comercialização com as regiões não afetadas, isolando apenas o rebanho infectado. "Todo o resto continuaria com a exportação", disse. O secretário reforçou que atualmente todos os rebanhos estão saudáveis e que qualquer alteração será "transparente" e "responsavelmente" informada.
Preocupações
A preocupação persiste apenas quando a disseminação da gripe suína é contraposta à crise econômica. O último relatório semanal da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RS) aponta que os produtores locais continuam com oferta reduzida de animais para abate com a desaceleração.
"Ainda não houve queda na venda da carne por conta da gripe, mas os produtores estão preocupados, especialmente os pequenos produtores", relata o agrônomo responsável pela avaliação do relatório, Celso Freitas.
Alerta
Mesmo otimista, a Associação Brasileira de Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) confirma que se mantém alerta para a situação do setor em momento de crise ainda que, na próxima semana, a entidade deva divulgar dados sobre o desempenho do mercado em abril, com números positivos para o setor. O levantamento ainda não aponta para os impactos da gripe sobre o comércio, uma vez que a disseminação da doença começou a ser acompanhada no final do mês passado.
Entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano, de acordo com números a Abipecs, o setor apresentou queda. Em outubro, por exemplo, foram movimentados US$ 144,492 milhões, enquanto que em novembro foram US$ 78,242 milhões. Em março, o mercado começou a reagir, com movimentação de US$ 104,164 milhões.
A expectativa da entidade é que a ampliação de medidas de biossegurança nas granjas e a não existência de indícios da presença do vírus em porcos mantenham o mercado em atividade normal, ainda que retraído pela crise.
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