O elevado número de demissões de empregados com carteira assinada ocorridas entre o fim de 2008 e início deste ano pesaram nas contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de março, que fecharam com arrecadação líquida negativa de R$ 440,2 milhões. Esse foi o resultado dos saques de R$ 4,85 bilhões e da arrecadação bruta de R$ 4,41 bilhões.
Por causa do agravamento da crise econômica internacional, o saldo entre demissões e contratações formais no País foi negativo em cerca de 700 mil vagas em dezembro de 2008 e janeiro deste ano.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, confirmou ontem o saldo negativo de março, mas atenuou as preocupações com a saúde financeira do Fundo revelando o resultado parcial de abril (até dia 29), que mostra o FGTS de novo com arrecadação líquida positiva, de R$ 310,6 milhões.
No ano, o Fundo acumula saldo positivo de R$ 1,79 bilhão, resultado de receitas de R$ 18,28 bilhões e de saques de R$ 16,48 bilhões. Segundo ele, o impacto negativo em março reflete os saques feitos por quem foi demitido no fim do ano.
"O FGTS é um fundo sólido e não se pode tirar conclusões negativas apenas sobre o resultado de um mês atípico", comentou Lupi. Para o ministro, os saques por causa de demissões sem justa causa não devem continuar se elevando porque, na sua avaliação, o mercado formal de trabalho está se recuperando, já que em fevereiro e março as contratações de pessoal com registro voltaram a superar as demissões.
O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz, ponderou que, embora haja indicações de melhorias recentes no mercado de trabalho, ainda não dá para se ter certeza de sua total recuperação. "Vai depender do ritmo de recuperação da economia nos próximos meses, o que ainda é incerto", comentou. As informações são de O Estado de S. Paulo