A economia chinesa deverá reagir a partir da metade deste ano e se recuperar em 2010, o que terá impacto positivo sobre a Ásia, avaliou ontem o Banco Mundial em relatório sobre a região. Mas a entidade ressaltou que a manutenção de um ritmo de crescimento sustentável dependerá da retomada dos países desenvolvidos, que são o principal destino das exportações asiáticas.
A aceleração chinesa será provocada sobretudo pelo pacote de estímulo de US$ 585 bilhões anunciado pelo governo em novembro. O Banco Mundial lembrou que, desde 2007, a China é o país que dá a maior contribuição para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e das importações mundiais, o que deverá se manter no médio prazo.
"Há sinais de que a economia mais forte da região, a China, começa a dobrar a esquina", diz o relatório da entidade, que abrange apenas os países em desenvolvimento do Leste Asiático - Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura não estão incluídos.
De acordo com o Banco Mundial, a crise econômica global afetará os esforços de redução da pobreza e fará com que 10 milhões de pessoas que poderiam elevar sua renda neste ano continuem a viver com menos de US$ 1 por dia.
Os países mais atingidos serão justamente os mais pobres. Entre eles, a situação mais dramática é a do Camboja, que verá a evolução de seu PIB passar de expansão de 10,2% em 2007 para contração de 1,5% em 2009.
A diferença de 11,7% é a maior da região e decorre da queda na exportação de roupas e da redução no número de turistas.
ATIVIDADE
Em média, o conjunto dos dez países analisados terá crescimento de 5,4% neste ano, comparado a 8% em 2008 e 11,5% em 2007. O relatório manteve a previsão de 6,5% da China feita no mês passado. Se confirmado, será o menor índice de expansão do país desde 1990.
Ainda assim, o organismo ressaltou que "raios de esperança podem estar emergindo", com a indicação de que a China deverá sair do fundo do poço em meados do ano.
Em março, a atividade industrial foi positiva pela primeira vez em seis meses, enquanto os investimentos em ativos fixos tiveram alta de 26,5% nos primeiros dois meses do ano. O indicador abrange os recursos destinados à construção de fábricas, edifícios e obras de infraestrutura, como estradas, pontes e ferrovias.
O volume de empréstimos bancários atingiu recordes sucessivos nos três últimos meses e é visto como um elemento fundamental no esforço de recuperação da economia. A meta do governo é atingir crescimento de 8% neste ano, algo considerado improvável pela maioria dos analistas, que apostam em números inferiores a 7%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.