BRASÍLIA - Com o pacote habitacional, o governo inverterá os papéis e será ele a "desafiar" os empresários a construir 1 milhão de moradias até 2010. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será o contrário do passado, quando "a construção civil é quem reivindicava" medidas de incremento do setor.
O presidente reforçou ainda que o anúncio do pacote sairá nos "próximos dias".
Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda) e Márcio Fortes (Cidades) também falaram sobre o plano de habitação, mas pouco acrescentaram em detalhes sobre os estudos da medida destinada a aquecer a economia.
As moradias serão destinadas a famílias com renda até 10 salários mínimos. Falta definir, por exemplo, a quantidade de habitações por faixas salariais, segundo Fortes. "Quem ganha menos deve ser contemplado com maior número", disse ele.
A ministra Dilma sinalizou a mesma coisa. Segundo ela, 85% do déficit habitacional do país está concentrado na população com renda de zero a três salários mínimos.
Ela disse ainda que o plano terá três plataformas: subsídio proporcional, sendo maior para quem ganha menos; um fundo garantidor para lastrear a inadimplência e redução do seguro nas prestações. Dilma acrescentou ainda que o pagamento das prestações "só começa quando a pessoa entrar na moradia".
Fortes afirmou ainda que o governo está aguardando propostas dos governadores, como a do mineiro Aécio Neves (PSDB), que essa semana pediu que os recursos do pacote habitacional sejam repartidos com os governos regionais para a execução de seus projetos. O ministro assegurou ainda que haverá recursos suficientes. "Para programa prioritário como esse, não há falta de dinheiro", declarou Fortes.
Mantega foi na mesma linha, em sua fala na primeira reunião do ano do Conselhão. "Será um programa robusto, com muitos recursos públicos, que o setor privado vai implementar", disse ele. O ministro lembrou que a construção civil é um setor de grande geração de empregos, além de não ter dependência de insumos importados.
Mantega citou também que enquanto a projeção para o emprego mundial é de 4% de queda neste ano, para o Brasil estima-se crescimento de 20% no saldo positivo entre demissões e contratações.
Lula citou que a Caixa Econômica Federal já fechou contratos da ordem de R$ 1,9 bilhão em janeiro e fevereiro, ante menos de R$ 1 bilhão em período igual de 2008.
Mantega complementou afirmando que há espaço para o crescimento do crédito imobiliário no país, hoje correspondente a 3% do PIB, enquanto nos Estados Unidos representa 70% do PIB.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)