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Saiba qual o investimento mais adequado ao seu perfil

22/02/2009 - 14:13 - Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo

Após sair do vermelho e organizar as finanças, é hora de saber onde investir o dinheiro que sobrou para evitar novos apertos no orçamento. Mesmo em meio à crise financeira mundial, especialistas afirmam que há boas opções no mercado e, em um ponto, são unânimes: quem precisa de dinheiro em curto prazo deve optar por fundos de renda fixa e pela poupança. Quem tem planos a longo prazo pode se aventurar em aplicações na bolsa e em fundos multimercados.

 

De acordo com o consultor financeiro, pós-doutor e autor do livro 'Como Sair do Vermelho e se Tornar um Investidor de Sucesso' (Editora Porto de Idéias), Marcos Crivelaro, quem não está habituado a investir precisa de um estímulo inicial, que, geralmente, está ligado ao equilíbrio financeiro.

“É preciso sair do vermelho e ter a sensação de que deixou de gastar além do que poderia. Depois, vêm os planos, como viagem, casamento, compra de carro e imóvel”, diz. Neste momento, é necessário anotar valores e prazos dos objetivos para programar se o investimento será de curto, médio ou longo prazo.

O consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e professor da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Jurandir Simões reitera que, antes de optar por um plano, o futuro investidor tem que se auto-conhecer e saber quais são as variações que suporta no seu patrimônio.

“Se a pessoa economizar R$ 10 mil e colocar tudo na Bolsa, depois, quando cair para R$ 9 mil, ela quase enlouquecer, já temos o perfil de alguém que aguenta menos de 10% de risco”, diz. Em geral, a recomendação dos especialistas é diversificar os investimentos para diluir os riscos. “A escolha deve ser feita levando mais em conta o peso inflacional do que o emocional”, brinca Simões.

“É preciso sair do vermelho e ter a sensação de que deixou de gastar além do que poderia. Depois, vêm os planos, como viagem, casamento, compra de carro e imóvel”

Para pessoas que têm data determinada para resgatar o dinheiro, como quem está economizando para pagar a faculdade ou se casar, Simões sugere comprar títulos do Tesouro Nacional. “Você pode comprar títulos no Tesouro Direto por dois anos com taxas de 0,3% ao ano”, afirma ele.

O Tesouro Direto permite que pessoas físicas possam adquirir, pela internet, títulos públicos ofertados pelo Governo Federal. Este utiliza a emissão de títulos como uma das formas de captar recursos para financiar atividades nas áreas de educação, saúde e infra-estrutura. O valor mínimo de investimento é de R$ 200 e para fazê-lo é preciso ser cadastrado por uma instituição financeira que seja Agente de Custódia da Companhia Brasileira de Liquidação e de Custódia (CLBC).

“Eles são bons investimentos e são de alta liquidez, que você pode resgatar a qualquer momento. Mas, se deixar o dinheiro por mais tempo, consegue impostos menores”, completa Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios.

O consultor Crivelaro recomenda ainda que famílias e casais com objetivos comuns unam suas economias em um só banco a fim de conseguir vantagens. “É melhor colocar R$ 50 mil em um banco, do que deixar R$ 20 mil da noiva e R$ 30 mil do noivo em bancos separados”, afirma.

Segundo ele, com um patamar de investimento maior é possível se credenciar nos segmentos bancários voltados a clientes de alta renda, como Bradesco Prime e Itaú Personnalité. “Juntando as economias você ganha um ar de investidor e, com isso, consegue alguns benefícios, como menor taxa de administração”, afirma.

Os consultores são enfáticos em afirmar que o momento requer investimentos em fundos pré-fixados, cuja remuneração é combinada no momento da compra. Nos pós–fixados a rentabilidade é verificada somente no final do período de aplicação.

“Como a tendência é de queda da Selic (taxa básica de juros) até o final de 2009, isso deve refletir nas aplicações”, explica Crivelaro. “Se você for precisar do dinheiro antes do prazo definido pelo banco, o melhor é apostar em rendas pré-fixadas, senão os juros caem e o rendimento também”, reforça Alcides Leite.

“É melhor colocar R$ 50 mil em um banco, do que deixar R$ 20 mil da noiva e R$ 30 mil do noivo em bancos separados”

Os fundos de investimento funcionam como uma espécie de condomínio. Cada pessoa possui uma cota e todos pagam uma taxa a um gestor para administrar os recursos no mercado. A taxa média praticada é de 2%, mas, nesta hora, especialistas recomendam pesquisar valores mais em conta.

“Pergunte ao gestor em reais quanto você vai pagar por ano em taxas. As pessoas perdem a noção de valor quando pensam em porcentagem. Por exemplo 3% de R$ 20 mil dá R$ 600 por ano. É um absurdo”, afirma o consultor Luiz Simões. Como não participam do mercado de ações, os fundos de renda fixa pré e pós-fixados são considerados de baixo risco e recomendados, principalmente, para aplicações de curto e médio prazo.

Outro título de renda fixa é o Certificado de Depósito Bancário (CDB), que também pode ser pré-fixado ou pós-fixado, e o Recibo de Depósito Bancário (RBD). Nestes casos, as pessoas emprestam dinheiro aos bancos e depois recebem o investimento corrigido com juros. Ambos são considerados de baixo risco.

No caso do CDB é possível resgatar o investimento antes da data de vencimento, porém, o consultor Crivelaro alerta para as “entrelinhas destes contratos”. “Fique atento se é possível resgatar o valor integral reajustado antes do prazo porque, em alguns casos, se tirar antes você consegue só 80% da rentabilidade”, considera Crivelaro. O professor Leite aconselha também a deixar as economias no CDB pelo período de um a cinco anos. “E no máximo destinar 50% dos investimentos”, diz.

A mais tradicional das aplicações, a caderneta de poupança, é recomendada apenas por um curto período de tempo e para clientes com até R$ 20 mil em investimentos. “Sugiro apenas para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento. Se vai deixar por mais de seis meses o melhor é um fundo de renda fixa pré-fixado”, afirma Leite.

Para Crivelaro, muitas pessoas optam pela poupança, mesmo sabendo que ela rende menos que outros investimentos, por falta de conhecimento sobre o assunto e orientação do banco. A valorização mensal da poupança é sempre 0,5% mais a Taxa Referencial (TR) do dia do depósito. Mas, ela tem as suas vantagens. “É fácil de fazer, você pode tirar dinheiro a qualquer momento e qualquer quantia serve para abastecê-la”, afirma o consultor.

As pessoas perdem a noção de valor quando pensam em porcentagem. Por exemplo 3% de R$ 20 mil dá R$ 600 por ano

Quem procura uma aposentadoria tranquila pode optar ainda por um plano de previdência privada, que irá complementar a previdência pública do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O cliente pode escolher o valor da contribuição e a periodicidade com que ela será feita. Neste caso, os especialistas concordam: quanto antes você começar a investir, melhor. “As pessoas devem começar desde cedo, assim que tiverem uma atividade profissional. No início, podem destinar 10% do salário”, afirma Leite. “Ela só não vale a pena para quem já está aposentado”, acrescenta ele.

Investimentos arrojados

Quem busca lucros altos e, para isso, também está disposto a correr grandes riscos, uma boa opção, segundo os economistas, é investir em ações. “Agora é um ótimo momento para comprar”, afirma Marcos Crivelaro. Porém, é preciso paciência, já que, segundo ele, os lucros com a Bolsa devem voltar somente daqui a pelo menos 2 anos.

O professor da USP Luiz Simões afirma ainda que jovens podem arriscar mais com ações, ao contrário de pessoas acima de 70 anos, por exemplo, que devem priorizar os fundos de renda fixa. “Se um garoto de 20 anos pensa na aposentadoria ele pode colocar até 100% das economias na bolsa. Mas, se está guardando para a faculdade ou para comprar um carro, deve colocar em um fundo de renda fixa”, diz.

Em todo caso, Simões recomenda cautela aos menos familiarizados. “A bolsa não é indicada para quem não consegue acompanhar o dia-a-dia da empresa”, diz. Para os leigos, a melhor opção é ser cotista em um fundo de ações. Mediante o pagamento de uma taxa, um gestor administrará o fundo e coordenará as compras e vendas de suas ações.

Para quem não quer errar, Leite orienta investir em ações de empresas de petróleo e energia elétrica. “Prefira as maiores, como Vale ou Petrobrás”, afirma. De qualquer forma, ele diz que não é aconselhável colocar todas as economias em ações. “No máximo 50% e sempre se for para longo prazo”, enfatiza.

Quem procura uma aposentadoria tranquila pode optar ainda por um plano de previdência privada

Outra opção são os fundos multimercado, que alocam os recursos em renda fixa, renda variável e outros ativos. Dependendo da composição da carteira, eles podem apresentar risco baixo, médio ou alto. Os de menor risco são os que trabalham com uma porcentagem maior de renda fixa. Para ter mais chances de lucro, as aplicações devem permanecer por longo prazo. Simões explica que quem opta por este fundo deve estar atento à capacidade do gestor. “Verifique se o gestor consegue estar acima da Ibovespa, se ele conseguir, geralmente, cobra uma taxa maior”, afirma.

De acordo com Crivelaro, para entrar em um fundo multimercado, em geral, é preciso ter pelo menos R$ 50 mil. Como o mundo passa por um momento de crise econômica, o especialista aconselha os futuros investidores a “olhar a tabela de rentabilidade dos bancos e avaliar como os fundos multimercados reagiram no ultimo trimestre”. “É um bom momento para analisar quais papéis reagiram bem à queda abrupta da bolsa”, diz. O consultor alerta para uma regra comum a todos os investimentos: “quanto mais agressivo ele for, maior é a rentabilidade”.

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