22/02/2009 - 10:07 - EFE
LONDRES - Enquanto o desemprego aumenta, o consumo diminui, as bolsas caem e as empresas fecham as portas a um ritmo jamais visto em nível mundial, alguns negócios conseguiram impulsionar suas vendas justamente graças à crise econômica, principalmente no setor da alimentação.
Companhias como McDonalds ou Kentucky Fried Chicken (KFC) tornaram público o crescimento experimentado por suas vendas nos últimos meses em nível mundial, e esta última firma inclusive anunciou a criação de nove mil postos de trabalho só no Reino Unido em um período inferior a cinco anos.
O ano passado foi bom para os vendedores de hambúrgueres, como demonstram os dados divulgados pelo McDonalds, cujas vendas tiveram crescimento de 6,9% durante 2008.
Por continentes, o aumento registrado na Europa (8,5%) foi o dobro do registrado nos Estados Unidos (4%).
Seu grande concorrente, o Burger King, anunciou também um aumento das vendas em países como Espanha ou Reino Unido, assim como em algumas regiões da América do Sul.
O Burger King registrou crescimento de 5,2% em suas vendas no último semestre de 2008 graças sobretudo ao mercado latino-americano, onde as vendas subiram 11,2% neste mesmo período.
O setor, que foi amplamente criticado pelos efeitos prejudiciais deste tipo de alimentação na população e sua implicação nas altas taxas de obesidade em alguns países, como Estados Unidos, parece ter conseguido dar a volta por cima e vive uma nova "era dourada" favorecida pelos problemas econômicos dos consumidores.
No Reino Unido, este tipo de comércio também esteve no olho do furacão, e o próprio Governo de Gordon Brown cogitou pagar aos cidadãos para emagrecer.
Não à toa, a obesidade infantil no país se situa em 30%, o que levou também à instalação de aulas de culinária aos estudantes de ensino médio, para evitar que consumam a chamada "junk food".
Outro dos beneficiados desta situação foi a Domino's Pizza, que também tornou público sua intenção de ampliar seu elenco de funcionários em 1.500 novos empregados só neste ano.
"Estamos vendo que muita gente se interessa agora por comprar comida a um preço mais acessível, mas achamos que esta mudança de tendência também é o resultado de uma estratégia a longo prazo centrada em oferecer um produto de uma qualidade excelente junto a um bom serviço", explicaram à Agência Efe fontes da Domino's.
Porém, não é só o segmento de fast-food que se beneficia da crise nos mercados internacionais. Supermercados famosos por seus preços baixos ou inclusive redes especializadas no chamado "take away" - levar comida para o escritório ou para casa- também experimentaram fortes altas em suas vendas.
A rede alemã de supermercados Lidl espera criar dois mil novos postos de trabalho no Reino Unido com a abertura de 50 lojas em 2009, planos de expansão anunciados no ano passado pela Aldi, que pensa abrir 227 novos estabelecimentos.
No mês passado, o Subway -dedicado fundamentalmente à venda de sanduíches - prometeu criar trabalho para sete mil pessoas nas ilhas britânicas graças à abertura de 600 novas lojas.
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