03/12 - 12:45 , atualizada às 14:29 03/12 - Carol Pires, Último Segundo/Santafé Idéias
A ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, disse nesta quarta-feira, em audiência pública na Câmara dos Deputados, esperar uma desaceleração do crescimento do País no próximo ano. Dilma garante, porém, que a equipe econômica do governo tomará novas medidas, além das já adotadas, como a injeção de crédito no setor agrícola, automobilístico e o aumento da oferta de crédito, para evitar este declínio.
“Estamos esperando uma desaceleração e há um grande esforço do governo para que a gente consiga suavizar a curva e permita a retomada na seqüência (...) O acesso ao crédito externo secou de forma quase integral, para não dizer totalmente. Por isso, o Banco Central e o Ministério da Fazenda estudam mais mecanismos para ampliar o crédito e atender a demanda interna”, disse a ministra.
A pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central mostra que a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano caiu de 3% para 2,8%. Em visita ao Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu, porém, não acreditar nessa expectativa.No primeiro semestre deste ano, antes de deflagrada a crise financeira internacional, o governo previa crescimento de 5,4% para o ano que vem. Nos últimos meses, a equipe econômico reduziu a previsão oficial de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) para 4%.
Dilma afirmou que a situação fiscal do Brasil "faria inveja a Margaret Thatcher” - ex-primeira-ministra britânica, conhecida por governar com "mão de ferro".
“Temos uma margem de superávit primário a fazer inveja a Margareth Thatcher. E somos um pais em desenvolvimento. É só você pensar o Brasil está hoje com a dívida líquida em 36,6% em relação ao PIB [Produto Interno Bruto], enquanto a Itália está com 104%". De acordo com a ministra, apesar da crise financeira internacional, os investimentos do PAC devem ser aumentados. Para ela, isso será possível tornando a máquina pública mais eficiente. “Se me perguntar tem que cortar o que? Tem que cortar gasto com a estrutura operacional. Todas as empresas acham o que cortar, o governo também pode achar”, disse.Elogio a Palocci
Dilma creditou ao ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci (PT-SP) a “construção mais sólida da economia brasileira”, segundo ela, um dos fatores que contribuiu para o Brasil “ter melhores condições de enfrentar a crise”.
“O setor público não tem a fragilidade que tinha no passado. Isso não é desejo do governo, é constatado por indicadores”, ressaltou. Na avaliação da ministra, “a tempestade financeira amainou e não terá mais bancos quebrando. Não terá mais falência, como a do Lehman Brothers, mas o crédito está escasso e mais caro”. Apesar disso, de acordo com Dilma Rousseff, o Brasil tem condições de enfrentar a crise. “Não é que não há crise, mas as condições são completamente diferentes das situações anteriores”, disse.Rousseff também acredita que a independência da política macroeconômica nacional perante o Fundo Monetário Internacional (FMI) contribuiu para o Brasil conquistar a estabilidade da economia. “Nós não quebramos e como não quebramos mantivemos a possibilidade de usar as políticas monetária e fiscal e podemos manter investimentos. O FMI exigia redução de investimento e consumo e cortes na área de infra-estrutura”, observou.
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