03/11 - 13:57 , atualizada às 17:31 03/11 - Redação
SÃO PAULO - A fusão dos bancos Itaú e Unibanco, anunciada nesta segunda-feira, para formar um dos 20 maiores conglomerados do mundo, deve fortalecer o mercado financeiro nacional. Quem explica é o economista e professor da Universidade Ibmec do Rio de Janeiro Gilberto Braga, para quem a associação mostra que “o mercado financeiro não está a beira da ruína”. “[O mercado financeiro brasileiro] está indiferente ao que aconteceu lá fora, está sadio”, afirmou.
Braga explicou que a fusão deve fortalecer o mercado nacional e dar mais vigor para a atuação do novo conglomerado também fora do País. A junção das operações torna a instituição a maior do Hemisfério Sul, com ativos totais de R$ 575,1 bilhões. “A tendência é uma operação internacionalizada, que abre espaço para outras operações”, disse.
Segundo o especialista, o anuncio é uma “surpresa positiva” para os mercados e acaba com rumores de que o Unibanco enfrentava problemas financeiros por possuir ações da American International Group (AIG) - maior seguradora americana que foi atingida pelo estouro da bolha das hipotecas nos Estados Unidos. “Este anuncio coloca uma pedra em cima das especulações”, considerou.
Para o economista, a fusão do Itaú com o Unibanco minimiza a disputa pelos clientes de classe alta, já que as duas instituições competiam por esse mesmo grupo. “O Itaú se completa bem com Unibanco porque o Unibanco tem clientela de classe alta e reforça o seguimento que o Itaú começou a trabalhar quando ficou com ações do Personnalité”, explicou, acrescentando que, por ser um banco médio, o Itaú era bastante cobiçado por instituições maiores.
Um dos prejudicados com a associação deve ser o Citibank, que também disputa o mesmo nicho do mercado com o Itaú e o Unibanco. “Ele passa por um momento difícil. A tendência agora é crescer abrindo pequenas agências”, acredita o professor Braga.
Os demais bancos
Para o especialista em Global Brandings e professor de pós-graduação da Universidade Fernando Álvares Penteado (FAAP), José Roberto Martins, o mais prejudicado com a compra do Unibanco pelo Itaú foi o Bradesco, o maior banco do Brasil até a consolidação da fusão. “Não há como o Bradesco os alcançar em termos de tamanho”, afirmou. Segundo ele, mesmo se comprasse bancos menores, como o Nossa Caixa e o Votorantim, o Bradesco não conseguiria chegar ao tamanho da nova instituição financeira , que será chamada de Itaú Unibanco Holding. ”O Bradesco não vai conseguir se comunicar como sendo o maior banco do setor. Ele terá que se reinventar em termo de posicionamento da marca”, disse.
Na opinião do especialista, o Banco do Brasil não deve sofrer com a fusão já que tende a ser beneficiados com políticas do governo. “O governo não vai gostar de ver o Banco do Brasil perder posições”, afirmou.
Martins avalia que o período de transição deve durar cerca dois anos e envolver a adequação dos sistema de informática dos dois bancos e as mudanças nas estratégicas de comunicação de ambos. “A marca que deve prevalecer é Itaú. As agências Unibanco devem virar Itaú”, considera.
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