29/10 - 18:22 , atualizada às 21:50 29/10 - Redação com agências
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um dia de forte otimismo nesta quarta-feira, à espera da decisão do Banco Central sobre a taxa de juros da economia brasileira.
A Bovespa fechou em forte alta, de 4,37%, aos 34.845 pontos. No mês, porém, a queda soma 29,66% e no ano, 45,46%.
Em valorização o dia todo, o índice alcançou a máxima de 35.765 pontos no fim da tarde. Na BM & F, o contrato de Ibovespa para dezembro subiu 4,71%, para 35.450 pontos. O Dow Jones caiu 0,82% e o Standard & Poor´s 500 cedeu 1,11%.
No entendimento do mercado, a influência externa continua determinante para a bolsa paulista. Mas no quadro local também há fatores relevantes para a retomada das compras no mercado acionário. Além de preços muito atraentes, os agentes ficaram sensivelmente mais tranqüilos em relação à exposição das empresas em derivativos cambiais.
Nesta semana os maiores bancos brasileiros vieram ao mercado informar se tinham exposição, de que tipo e de quanto era. Os bancos não só anunciaram lucros como também retiraram o temor dos investidores em relação ao comprometimento do sistema financeiro. Desde que o governo editou uma medida para autorizar compra de bancos privados por bancos públicos, os investidores passaram a temer problemas no sistema com algum grande banco.
"Acho que o quadro ainda está longe de ser considerado tranqüilo, mas os preços caíram muito e qualquer sinalização de melhora do ambiente estimula os investidores a refazerem posições", diz Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
No quadro internacional, o comportamento de redução da taxa Libor dá uma medida de diminuição da aversão a risco e melhora do fluxo interbancário, que vinha sendo bloqueado pela incerteza e pelo empoçamento da liquidez . "Ainda existe receio e cautela grande, mas essa melhora para um mercado que está atrás de pechinchas é uma boa desculpa para comprar", reforça Rosa.
Segundo ele, a decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar os juros já era esperada e sinaliza a intenção da autoridade monetária de prover condições para o crescimento econômico após o baque gerado pela crise financeira, que pode jogar a maior economia do mundo em uma recessão. Essa decisão, entretanto, não tira o risco de novos tombos do mercado caso, por exemplo, o resultado do PIB surpreenda negativamente amanhã.
Outro elemento de incentivo para a bolsa doméstica é a forte valorização das commodities, que colaboram para os preços de Vale e Petrobras, que têm grande peso no índice. Analistas ponderam que, com a perspectiva de desaceleração econômica, a tendência desses preços ainda é de queda, mas a trajetória recente pode significar um ajuste técnico, como nos demais ativos globais.
Dólar
O dólar ampliou a queda em relação ao real, apresentada durante toda a sessão desta quarta-feira. Fechou, após duas intervenções do BC, com baixa de 1,88%, cotado a R$ 2,142. Com isso, sobe para 8,04% a desvalorização da moeda americana em relação ao real nos três primeiros dias úteis desta semana.
Hoje, o Banco Central realizou dois leilões de swap cambial. Nas operações, a autoridade monetária vendeu 22,1 mil contratos, equivalentes a US$ 1,084 bilhão.
(Com informações da Agência Estado, Reuters e Valor Online)
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