13/10 - 17:58 - Redação
“Não olhamos o hoje, mas o futuro”. A afirmação é do economista Wagner Pinheiro de Oliveira, o comandante do segundo maior fundo de pensão do País, com patrimônio de R$ 40 bilhões, 125 mil participantes e mais de 50 patrocinadores. Na presidência da Petros desde fevereiro de 2003, este paulistano de 46 anos, formado em Economia pela Unicamp, aumentou, em sua administração, o número de associados em mais de 30%. Ele está convencido de que a crise financeira internacional, quando analisada a médio e longo prazos, pode ser vista como uma oportunidade para os fundos de pensão.
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| Presidente da Petros no iG |
Este é caso da Petros, na visão de seu presidente. Hoje, mais de dois terços do patrimônio do fundo é formado por aplicações de renda fixa. A parte de renda variável recuou, do primeiro trimestre para cá, de 31% para 28%, dos quais a carteira responde por 12%. “Tenho tranqüilidade para não precisar dispor dos 30% que tenho em renda variável”, afirma Oliveira. “Os fundos de pensão olham de outra maneira, olham do ponto de vista da liquidez de longo prazo”.
É com o olhar para frente que Oliveira revela disposição para adquirir ações de empresas mais sólidas, aproveitando, justamente, a presente redução nas cotações dos papéis. O executivo destaca que a Petros já começou a comprar ações de empresas mais sólidas, como Vale, Petrobras e empresas do setor de energia. “Estamos em um ciclo de crescimento, que pode ter arrefecido em função da carência de crédito provoca pela crise internacional, mas que não vai chegar a níveis para gerar desemprego”, diz.
"A crise financeira internacional, quando analisada a médio e longo prazos, pode ser vista como uma oportunidade para os fundos de pensão"
A crise, na visão de Oliveira, poderá diminuir a velocidade dos investimentos, mas eles continuarão ocorrendo. “A Petrobras, por exemplo, sem estimativas do pré-sal, tem um programa de investimento de US$ 112 bilhões”, lembra.
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| Pinheiro Oliveira em entrevista ao iG |
Oliveira lembra também que, no caso dos fundos de pensão fechados, como a Petros, o participante só pode tirar o dinheiro se sair da empresa. “É lei. A pessoa não tem o direito de sacar seus fundos de reservas, exceto em algumas situações”, explica. “Isso é importante dizer porque, diferentemente dos fundos abertos mantidos por bancos, o poupador não saca o dinheiro no momento que quer. É uma poupança característica de médio, longo prazo”, completa.
Fluxo de caixa
Embora se declare tranqüilo e otimista, Oliveira informa que a Petros estuda mudanças e que para este ano o fundo dificilmente cumprirá sua meta de rentabilidade (inflação mais 6% ao ano). Ele minimiza a redução de R$ 1,5 bilhão que o fundo registrou entre o primeiro trimestre e o terceiro, ápice, até agora, da crise dos mercados. “Em ativos, no começo do ano, tínhamos 31% e renda variável. Hoje, temos 28%. Na contabilidade comparada, a Petros pedeu R$ 1,5 bilhão. (...) Mas, novamente, é preciso analisar que um fundo de pensão trabalha a longo prazo e, nos últimos cinco anos, a Petros rendeu, em média, inflação mais 12%, bem acima de sua meta de rentabilidade anual”.
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| Oliveira vê momento de oportunidade |
Ele destaca ainda que a Petros quer investir mais em infra-estrutura. “Investir em infra-estrutura no Brasil é investir em um macrossetor de risco baixo, rentabilidade moderada e bem regulado”, afirma. “Investir em infra-estrutura não é fazer obra social. Se eu melhorar as rodovias, os portos, ajudamos a melhorar, por exemplo, o resultado da Perdigão, empresa de que participamos e que exporta 50% do que produz”, explica. “É um ciclo virtuoso”, avalia. Hoje, a Petros detém 12% da Perdigão.
"Os negócios no Brasil vão sofrer uma desaceleração, mas as empresas continuarão a crescer"
Pânico do mercado
Ao ser questionado se o pânico do mercado financeiro caminha para o fim, Oliveira diz que a resposta é difícil, mas analisa que as medidas adotadas em conjuntos pelos governos da Europa e Estados Unidos vão acalmar o mercado.
“Essas medidas de intervenção direta no sistema financeiro internacional são positivas. Não há dúvida que, sem a intervenção do governo, a economia não segue um rumo que se ajuste. Essa crise deixa claro que a intervenção estatal é necessária, que não existe a história de que o mercado pode auto-regular”, finaliza.
(*com reportagem de Camila Nascimento, editora do Último Segundo, e José Paulo Kupfer, colunista do iG)
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