10/10 - 19:14 , atualizada às 19:36 10/10 - Reuters

SÃO PAULO - O dólar voltou a disparar nesta sexta-feira, apesar da atuação do Banco Central, seguindo a deterioração das principais bolsas de valores com temores sobre os desdobramentos da crise financeira.
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| Operador hoje à tarde na Bovespa em São Paulo/ Reuters |
A moeda norte-americana saltou 5,58%, a R$ 2,326. A divisa, que subiu 13,69% nesta semana, acumula alta de 22% em outubro, voltando aos patamares registrados há mais de dois anos.
"O mercado está bem ruim, e não tem muita coisa de novo", resumiu Luis Piason, gerente de operações de câmbio da Corretora Concórdia, lembrando que a cautela dos investidores antes do final do semana esvaziou a sessão. Os últimos dados disponibilizados da Bolsa de Mercadorias & Futuros mostravam um volume inferior a US$ 2 bilhões.
Os ministros das Finanças e autoridades do G7 (grupo de sete países mais industrializados do mundo) estavam reunidos nesta sexta-feira para debater formas de combater coordenadamente a crise financeira global. No final de semana, o Fundo Monetário Internacional discutirá as turbulências dos mercados na sua reunião anual.
O Banco Central realizou nesta sexta-feira três leilões de venda de dólares no mercado à vista, procurando derrubar a cotação do dólar com a injeção direta da moeda norte-americana no mercado. No último leilão, anunciado após as 16h, a autoridade monetária definiu a taxa de corte a R$ 2,3180.
O BC também realizou um leilão de swap cambial tradicional, vendendo 11.940 contratos com volume equivalente à US$ 589 milhões. Tais intervenções, no entanto, não foram o suficiente para compensar os péssimos desempenhos das bolsas.
"O BC atuou mas não adiantou muita coisa", afirmou Piason. "Ontem, ele conseguiu segurar um pouco (a cotação do dólar) mas hoje o mercado estava muito ruim."
Mercados derretem com incertezas
| Reuters |
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| Mercados têm um de seus piores dias |
"O mercado continua irracional, continua trabalhando com pânico", argumentou Piason, explicando que os mercados derivativos futuros de dólar ajudam a pressionar ainda mais a cotação do dólar à vista.
Segundo o gerente, os agentes compram dólares no mercado futuro para se protegerem de uma eventual alta, pressionando a cotação no mercado derivativo que por sua vez se reflete na cotação à vista. "É uma retroalimentação", completou Piason.
De acordo com os últimos dados atualizados da Bolsa de Mercadorias & Futuros, os investidores estrangeiros possuíam posição comprada de aproximadamente US$ 5 bilhões, enquanto as instituições nacionais possuiam mais de US$ 6 bilhões nestes tipo de contratos.
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