03/10 - 20:33 , atualizada às 08:36 04/10 - Redação
Apesar da aprovação do plano de socorro às instituições bancárias, que aconteceu apenas nesta sexta-feira, o mercado brasileiro e o norte-americano encerraram a semana com grandes perdas. O temor de que o pacote tenha sido aprovado tarde demais criou pânico nas bolsas e levou os investidores às vendas, encerrando uma semana bastante negativa.
Na segunda-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a acionar o “circuit breaker”, mecanismo de proteção que faz com que os negócios sejam suspensos por meia hora caso as perdas ultrapassem os 10%. Os temores se acentuaram depois que a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou a proposta do secretário do Tesouro, Henry Paulson, para o plano de salvamento dos mercados financeiros. Ao final do pregão, a queda ficou na casa dos 9%.Em Wall Street, as quedas foram relevantes: Dow Jones despencou 6%, maior baixa na história do índice.
Na terça-feira, com a expectativa de que o governo norte-americano teria de tomar alguma atitude para conter a crise, o otimismo retornou aos mercados. A Bovespa fechou em alta de 7,63%. Em Nova York, as bolsas subiram cerca de 3%. Na quarta-feira, o Senado norte-americano aprovou, depois do fechamento dos pregões mundiais, a nova versão do Plano Paulson, desta vez com mudanças preparadas para atender às reivindicações dos contribuintes. Antes da decisão, as dúvidas voltaram aos mercados e o otimismo foi embora, mas sem causar grandes estragos. Em São Paulo, o Ibovespa teve alta de 0,52%, mas em Nova York os índices tiveram queda. Dow Jones ficou negativo em 0,18%. Com a aprovação no Senado do pacote de socorro aos mercados, a expectativa era de que a quinta-feira fosse um dia de mais calma. Mas o temor de que a Câmara barrasse o plano, mesmo com alterações, e de que a ajuda, ainda que aprovada, viesse tarde demais deixou os investidores novamente pessimistas. A Bovespa chegou a cair mais de 9%, se aproximando novamente do “circuit breaker”, e encerrou com queda de 7,34%. As bolsas de Nova York também despencaram: Dow Jones recuou 3,2%, e Nasdaq, 4,5%.
Na sexta-feira, a Câmara dos Representantes aprovou a nova versão do Plano Paulson, e o presidente George W. Bush assinou rapidamente. Mas o socorro não chegou em tempo de acalmar os mercados: a sensação de que a ajuda do governo não seria suficiente tomou conta dos investidores e as bolsas de São Paulo e Nova York tiveram fortes quedas, que as levaram a encerrar a semana com perdas expressivas.
O Ibovespa teve uma queda de 3,5%, num pregão em que chegou a subir 3%. Com o resultado, a bolsa paulista teve a pior semana desde julho de 2002, com perdas acumuladas de 12,34%.
Situação parecida se desenrolou nos Estados Unidos. O Dow Jones teve queda de 1,5% e encerrou a pior semana em sete anos.
Em paralelo, o dólar disparou. Apesar da crise nos Estados Unidos, a moeda é tida como um “porto seguro” para os poupadores, que correram em busca dela. No Brasil, ela fechou a semana cotada a R$ 2,046.

Pelos sinais do mercado, as turbulências financeiras parecem longe do fim.
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