21/09 - 17:10 - EFE

WASHINGTON - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, participou neste domingo de vários programas televisivos com uma mensagem para que o Congresso aprove com urgência o plano para combater a atual crise financeira, o qual preve a compra de até US$ 700 bilhões em dívidas de má qualidade.
Paulson, a quem o presidente George W. Bush concedeu a tarefa de "vender" este pacote, levou à opinião pública, por meio das emissoras "ABC", "CBS", "Fox" e "NBC", variações de uma mesma mensagem: o Congresso deve agir para evitar o colapso do sistema financeiro.
"Os mercados de crédito ainda permanecem muito frágeis e congelados", disse Paulson em um programa da "NBC", no qual também defendeu uma reforma, a longo prazo, do antiquado sistema regulador.
"Devemos responder a isto e responder rapidamente", argumentou Paulson, confiante em que o Legislativo atenderá ao seu chamado. Ciente das críticas ao plano, ele admitiu que este pode ser um pouco amargo, mas que se trata de "um mal necessário".
Em entrevista à revista "Newsweek", Paulson foi contundente: "Para mim, é desagradável", mas é melhor que a outra alternativa (de piorar a crise). "Podemos discutir muito sobre como e por que tudo isto aconteceu, mas primeiro temos que superar esta crise".
Representantes do Departamento do Tesouro e do Congresso trabalham para refinar a proposta final, que deverá ser aprovada na próxima semana.
A minuta da proposta enviada ao Congresso no sábado permite que o Departamento do Tesouro compre até US$ 700 bilhões em ativos hipotecários nas mãos dos bancos.
O documento, de apenas três páginas, também consentiria ao Congresso elevar o endividamento do país de US$ 10,6 trilhões para US$ 11,3 trilhões.
À rede de TV "ABC", Paulson não descartou a possibilidade de bancos estrangeiros recorrerem ao plano, especialmente se tiverem operações e empregados nos EUA, além de ativos financeiros sem liquidez.
O plano da administração Bush para conter a crise é lançado enquanto as instituições financeiras enfrentam a pior turbulência dos mercados nas últimas décadas, e também põe em risco o sistema bancário internacional.
A crise financeira esquentou o debate sobre o rumo da política econômica dos EUA entre os candidatos à Casa Branca, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain.
Em um programa da rede "CNN", o assessor econômico de Obama, Austan Goolsbee, e o de McCain, Douglas Holtz-Eakin, defenderam as políticas econômicas de seus respectivos candidatos e disseram que ainda precisam analisar os detalhes da proposta do Governo para poderem comentá-la.
De qualquer modo, Obama se inclina por "uma resposta bipartidária" e acha que o problema não se resolve só com "sacando dinheiro", disse Goolsbee.
McCain, por sua vez, quer que haja mecanismos para a "disciplina e a prestação de contas do setor privado", afirmou Holtz-Eakin.
Conservadores
Enquanto isso, surgem vozes de alarme no grupo de conservadores que assistem à transformação ideológica do presidente Bush, disposto agora a abandonar alguns princípios do livre mercado, ao apoiar uma maior intervenção de seu Governo na economia.
De fato, os conservadores vêem neste projeto uma suposta mudança em direção ao socialismo, e argumentam que o plano aumentará o já vultoso déficit fiscal.
Segundo alguns analistas, o plano financeiro poderia custar a cada americano pouco mais de US$ 2.000.
Alguns republicanos confirmaram neste domingo a rejeição à idéia democrata de incluir medidas para ajudar centenas de milhares de americanos expostos a um maior risco de perder suas casas.
Ignorando as advertências de Paulson de que o plano deve excluir despesas alheias à crise em Wall Street, vários democratas, entre eles Christopher Dodd, presidente da Comissão de Bancos do Senado, insistiram em ajudar o cidadão americano.
A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, enfatizou ontem que as classes média e baixa "precisam de proteção". Isso envolve, segundo disse, "um pacote de recuperação econômica que crie empregos e reative o crescimento" da economia.
As ações no Congresso durante a próxima semana se centrarão, sem dúvida, nos mecanismos para salvar Wall Street e o cidadão americano, tudo isso com fortes medidas de prestação de contas por parte do Governo.

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