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Investimento em ouro é tradicional em tempos de crise

18/09 - 16:27 - Marcela Campos

O ouro registrou na quarta-feira, dia 17, a maior alta da história ante o dólar no mercado internacional. A onça-troy do metal (31,1 gramas) subiu US$ 90,  quase 11% em relação ao dia anterior. O metal de alta liquidez, investimento conservador tradicional dos tempos de incertezas no mercado de capitais, vem se beneficiando da crise financeira mundial.

 

Acordo OrtográficoInvestir em ouro, porém, significa estar à mercê das flutuações de oferta e demanda, e ser obrigado a pagar um custo de manutenção, só obtendo retorno no caso de eventual valorização. Essa taxa é a “custódia bancária”, ou seja, um valor pago pelo dono do ouro para que ele fique guardado em algum banco.

Na prática, quem compra ou vende ouro transfere um papel – documento que representa a custódia da barra –, em um banco certificado. “A pessoa até pode retirar a barra de ouro se quiser, mas, se resolver custodiar novamente, o ouro precisará ser fundido, para garantir sua pureza”, explica o professor do curso de Administração e Finanças da FEA/USP, Keyler Carvalho Rocha.

“Não gosto do investimento em ouro porque é meramente um ativo financeiro. Seu valor se dá menos pelo uso que ele tem e mais pelo valor psicológico e tradicional”, opina Rocha. As aplicações do ouro, em jóias, construção e outros usos, são poucas em relação à quantidade do metal existente, explica o professor. 

Para ele, investir em ações de empresas sólidas é mais vantajoso, mesmo em momentos de crise. “Se a empresa produz mais, vende mais, cresce, ela se valoriza. Mesmo que passe por períodos de baixa, no longo prazo, vai voltar a se valorizar.” 

Valor histórico

O metal nobre tem uma antiga tradição no atualmente complexo sistema de comércio. Até a Segunda Guerra Mundial, o ouro servia de lastro para que os principais bancos emitissem moeda. Só a partir de 1947, durante a Conferência de Bretton Woods, essa relação foi quebrada e dólar emergiu como moeda forte, mundialmente utilizada. Os bancos centrais de outros países passaram a emitir suas moedas nacionais de acordo com o fluxo de dólares que entrava em suas reservas. 

De 1947 até o início da década de 1970, vigorou a paridade ouro-dólar – ou seja, os Estados Unidos só emitiam moeda quando tivessem uma garantia suficiente em ouro para cobrir a emissão e os outros países lastreavam suas moedas no dólar. Essa relação só foi quebrada pelos EUA quando sua manutenção se tornou insustentável, com os crescentes déficits acumulados após a Guerra do Vietnã e a primeira crise do petróleo.

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