16/08 - 08:40 - Redação
A indústria e o varejo já começam a sentir a desaceleração nas vendas. Na primeira quinzena de agosto, as vendas de carros caíram 7,2% em relação ao mesmo período de julho, segundo números do Registro Nacional de Veículos (Renavam). No entanto, comparadas à primeira quinzena de agosto de 2007, elas seguem em alta de 11%. O índice é menor do que a alta de 30,4% do primeiro semestre, mas ainda de acordo com a previsão de alta de 24% no ano. As informações são da edição deste sábado do Jornal "Folha de S.Paulo".
Segundo o presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Jackson Scheneider, ainda não é possível analisar as vendas de agosto, mas a queda já era esperada. "Para nossa indústria, é até bom crescer num ritmo mais cadenciado porque é difícil dar respostas imediatas a saltos de consumo numa cadeia tão complexa", afirma.
Os fabricantes de alimentos também acreditam que, com o poder de consumo reduzido pela inflação e pela alta na taxa de juros, o consumidor gastará menos agora. "O segundo semestre será mais difícil", afirma Ivan Zurita, presidente da Nestlé. Ele considera que, apesar de a empresa ter crescido 7% entre janeiro e julho, o percentual não deverá se manter até o fim do ano.
Os supermercados também refletiram o crescimento menor das vendas de alimentos, brinquedos e supérfluos. Conforme informações do IBGE, as vendas de super e hipermercados, que tinham crescido por volta de 8,5% ao mês em média entre janeiro e maio (com exceção de abril, pelo fato de a Páscoa ter caído em março), subiram apenas 1,3% em junho, comparado ao mesmo mês de 2007.
"O consumidor que se endividou com a prestação do carro e do apartamento não esperava a alta da inflação", diz Cesar Fukushima, economista-chefe da consultoria GSMD. "Com o comprometimento da renda, o poder de compra cai", afirma.

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