21/07 - 12:18 , atualizada às 17:05 21/07 - Agência Estado

O governo brasileiro alerta que os Estados Unidos estão usando as declarações do chanceler Celso Amorim sobre o nazismo para tentar enfraquecer a posição do Itamaraty nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). No sábado, Amorim acusou os países ricos de estarem usando técnicas de desinformação dos nazistas nas negociações.
O governo americano reagiu irritado, principalmente diante do fato de que a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, é filha de sobreviventes do Holocausto. O caso quase gerou um incidente diplomático.
Ontem, Amorim afirmou que não teve intenção de ofender. Hoje, se reúne com Schwab. Mas não retirou o comentário de que os países estariam repetindo mentiras sobre o Brasil até que esses "mitos" se transformem em realidade. "No Brasil sempre se fala isso sem qualquer problema", disse. Para Amorim, os americanos usam o deslize para afetar sua credibilidade em uma semana crucial na OMC.
Ontem, a União Européia qualificou as declarações de Amorim como de "mau gosto, além de lamentáveis". Mais tarde, o comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, pediu para que o tema fosse esquecido.
Nos últimos dias, Europa e EUA têm pressionado os países emergentes a fazerem concessões para poderem abrir seus mercados agrícolas. Amorim rejeitou a pressão. "Goebbels sempre dizia que quando se repete uma mentira muitas vezes, ela se torna verdade", afirmou o chanceler. Joseph Goebbels foi artífice da propaganda nazista na Segunda Guerra Mundial e conhecido por introduzir técnicas de desinformação.
Leia também:
Leia mais sobre Rodada de Doha

Publicidade
Brasil diz que ricos devem melhorar textos de negociação na OMC
Reuniões foram inúteis, diz Amorim sobre primeiro dia das conversas por acordo na Rodada Doha