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Em entrevista exclusiva de 2001, Cacciola fala sobre a imprensa e a vontade de voltar ao Brasil

17/07 - 18:43 - Redação

O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, extraditado para o Brasil na quarta-feira, concedeu uma entrevista exclusiva para o Último Segundo, realizada pelo jornalista Leão Serva, em 15 de dezembro de 2001.

Na época, Cacciola tinha acabado de se mudar para na Itália com a mulher e dois filhos. Ele fala sobre o lançamento do livro escrito por Eric Nepomuceno que relata episódios de sua vida, intitulado “Eu, Alberto Cacciola, Confesso: o Escândalo do Banco Marka”, do Ministério Público, comenta o papel da imprensa e também ressalta a vontade de voltar para o Brasil.

Cacciola afirma que a publicação do livro não tem a ver com desejo de vingança, e que o principal objetivo é que uma grande quantidade de pessoas possam entender “a verdade dos fatos”.

Ao ser questionado como conseguia manter financeiramente sua família, o ex-banqueiro afirmou ter “reservas declaradas no imposto de renda, no Exterior. Declaradas no meu imposto de renda, oficiais. Estou vivendo com essas reservas e agora estou começando a trabalhar e tenho total possibilidade de nos próximos seis meses poder me sustentar com meu trabalho”.

Cacciola foi condenado a 13 anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta do banco Marka, do qual era proprietário, numa operação que gerou prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central durante a maxidesvalorização do real.

Ao ser indagado pelo repórter se pretendia voltar o Brasil, ressalta que em seu livro essa vontade fica transparecida. “O Brasil é o meu País, é lá que eu tenho meus filhos, tenho minha família, tenho meus irmãos, tenho meus amigos. Mas só que eu espero poder voltar para o Brasil e encontrar um Brasil melhor, mais justo, mais honesto, que respeite as leis, que respeite o direito constitucional das pessoas primeiro se defenderem, antes de acusarem. Está no final do livro”, revelou o ex-banqueiro.

Na entrevista, Cacciola diz que respeita o Ministério Público, mas condena o comportamento exagerado de alguns procuradores do Rio de Janeiro. “Minha crítica é que dentro do Ministério Público existem procuradores que têm o único objetivo de aparecer, se tornarem vedetes de qualquer escândalo e têm uma enorme capacidade de pré-julgamento e não de fazer de fato investigações sérias e de forma competente. Eles fazem investigações na base de escândalos, usando a imprensa como aliada e a imprensa tem uma culpa enorme em dar o apoio e o espaço que dá a esses procuradores incompetentes”, afirmou o ex-banqueiro.

Personagem crucial no seu livro, a relação do ex-banqueiro com a imprensa é um dos questionamentos do entrevistador. Cacciola diz que a revista “Veja” foi o veículo que se comportou de forma mais “desleal, mais desumano, mais absurdo, fazendo acusações sem nenhuma prova”. “Eu diria que a imprensa como um todo agiu de forma exagerada, me transformando no bandido-mór do Brasil, mas a maior motivação, o start e a coisa mais absurda quem fez sem dúvida nenhuma foi a “Veja”. Mas a imprensa como um todo colaborou e contribuiu para criar essa minha imagem negativa. E talvez lá na frente vá ter um mea culpa em relação ao Cacciola.”, declarou o ex-banqueiro.





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