16/07 - 08:43, atualizada às 08:43 16/07 - Agência Estado
Os sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) aprovaram ontem uma paralisação nacional de 48 horas, desta vez sem parada na produção, a partir de quinta-feira. O objetivo é forçar a companhia a apresentar nova proposta de distribuição da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além de demonstrar apoio aos trabalhadores da Bacia de Campos, que iniciaram na segunda-feira uma paralisação de cinco dias.
Ontem, a Petrobras informou que a produção nas plataformas de Campos foi totalmente normalizada.
Na paralisação de quinta-feira, os grevistas vão apenas tentar impedir a troca de turno nas refinarias da estatal. "Com certeza, a Petrobras vai fazer planos de contingência também para as refinarias, mas nossa intenção não é parar a produção, e fazer um alerta", afirmou o diretor da FUP, José Genivaldo da Silva.
Na semana que vem, as lideranças sindicais se reúnem novamente para avaliar a possibilidade de uma mobilização nacional com parada na produção de refinarias, terminais e plataformas de produção de petróleo em outros Estados.
Os empregados da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, entraram ontem no segundo dia de greve, mas a Petrobras conseguiu normalizar a produção na região, colocando equipes de contingência em todas as 33 plataformas que haviam aderido ao movimento.
Nas primeiras horas da greve, ainda na segunda-feira, 13 plataformas chegaram a interromper as operações, que foram retomadas ao longo do dia. No saldo final, a estatal deixou de produzir 63 mil barris de petróleo.
Cárcere
Os dirigentes sindicais criticaram a postura da estatal diante da greve. "A Petrobras está trazendo quem está de folga, quem está de férias, pessoas que nem são de plataformas, e não está deixando a equipe das plataformas desembarcar. Isso é cárcere privado", reclamou o coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), José Maria Rangel.
Apesar do pequeno impacto na produção, Rangel disse que o resultado da greve está sendo positivo, uma vez que a companhia se comprometeu a sentar novamente à mesa de negociações.
Hoje, às 14 horas, grevistas e representantes da empresa voltam a discutir a questão do dia do desembarque das plataformas, que a categoria quer que seja contado como dia trabalhado e não como folga, como ocorre atualmente. A Petrobras vem dizendo que está aberta a negociações.
A greve, que chegou a assustar o mercado de petróleo, não provoca tanto temor entre os analistas que cobrem a estatal. A Brascan Corretora, por exemplo, avaliou, em relatório divulgado ontem, que a perda de produção no primeiro dia de paralisação será diluída nos dias restantes do terceiro trimestre. "Não acho que o atendimento às reivindicações dos funcionários seja um grande item de aumento de custos", completou, em entrevista à Agência Estado, o analista da instituição Felipe Cunha.
Mas a extensão do movimento por um prazo mais longo pode ser prejudicial, diz Mônica Freitas, da corretora Ativa. "A greve anunciada pelos petroleiros ainda não impacta de forma relevante a produção da empresa, porém se continuar e tiver novas adesões poderá afetar o nível de produção doméstica, prejudicando ainda mais a meta de ampliação da capacidade produtiva em 2008", afirmou ela, em relatório. As informações são do O Estado de S. Paulo.
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