07/07 - 08:19, atualizada às 08:57 07/07 - Agência Estado
A inflação nos preços das passagens aéreas no varejo alcançou, em junho, 61,24% no índice acumulado em 12 meses. É o maior patamar em 11 anos, apurou a Fundação Getúlio Vargas.
A pesquisa tomou por base dados do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) do mês passado, de 13,44% na mesma base de comparação. As companhias áreas TAM, Gol e Varig admitem que os preços podem subir mais se o preço do barril de petróleo não ceder.
O especialista em aviação da consultoria Bain & Company André Castellini lembra que o setor aéreo foi dimensionado para trabalhar com o barril do petróleo a US$ 70, e não a US$ 140, patamar atual. "Se o petróleo mantiver tendência de alta, as tarifas vão subir e as malhas aéreas diminuir, assim como a frota das companhias", prevê.
Para o economista responsável pelo levantamento, André Braz, as companhias aproveitaram o bom momento de demanda interna para reajustar passagens e recuperar a margem de lucro perdida com a da crise no setor. "Na verdade, temos o fator sazonal, já que os aumentos são realizados nessa época do ano, e a demanda interna intensa", afirmou Braz. "A elevação nos preços das passagens em 12 meses até dezembro do ano passado era de 4%. Agora em junho está acima de 60%."
Para o consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio, a escalada dos preços pode ser explicada, em parte, pela falta de competição no mercado doméstico. De um lado a TAM, com 49,28% dos vôos em maio, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Do outro, Gol e Varig, com 45,24%. "Não é aumento no preço. Está havendo redução nos descontos por falta de competição", avalia.
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