O mercado de juros começou a semana novamente com taxas em alta. A liquidez neste último dia do primeiro semestre foi bastante restrita.
"Os ajustes já foram feitos e o investidor vai esperar a virada do mês para montar novas posições", diz um profissional, acrescentando a isso o fato de hoje ser segunda-feira, um dia tipicamente fraco em termos de volume para os juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
Por sinal, operadores afirmam que tanto em termos de tendência quanto de oscilação de taxas, a sessão de hoje deu um pouco da idéia de como foi o semestre para o mercado de juros: taxas pressionadas e volume moderado. "O mercado passou o semestre buscando um ponto de melhora que, efetivamente, não chegou até agora. O mercado continua correndo atrás do rabo", diz o operador César Ferraz, da Ativa Corretora.
Vale lembrar que, para a política monetária a aposta mais pessimista, no início do ano, era de manutenção da Selic em 11,25% ao ano para 2008 inteiro e, hoje, seis meses depois, com o processo de aperto monetário já acumulando alta de 1 ponto porcentual na Selic, o mercado já prevê juro básico em 14,25% no final do ano (segundo a pesquisa Focus).
O contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado, fechou o dia projetando taxa de 15,14% ao ano, contra taxa de 15,06% projetada no encerramento dos negócios na sexta-feira. Esse contrato "abriu 2008 no nível de 12,80%", lembrou Ferraz.
Hoje os juros futuros continuaram sendo castigados pela aversão ao risco. Embora não tenha havido hoje notícias negativas de impacto, a pesquisa Focus pesou. O levantamento trouxe as já previstas revisões para cima nas projeções para a inflação. A projeção de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2008 avançou de 6,08% para 6,30%, mais perto do teto da meta para o ano (que varia entre 2,5% e 6,5%). No que diz respeito à Selic, o mercado seguiu vendo espaço cada vez menor para redução no ano que vem. A projeção do juro básico para o fim de 2008 permaneceu em 14,25% ao ano, mas a previsão para o próximo ano avançou de 13% para 13,50%.