30/06 - 12:08 - Agência Estado
A maioria dos recalls realizados no Brasil foi por iniciativa das próprias montadoras, que detectaram defeitos em testes internos de fadiga dos carros. Mas há casos em que a convocação, obrigatória quando o problema envolve a segurança dos motoristas, só ocorreu após pressão de clientes, órgãos de defesa do consumidor e mídia.
Foi o que ocorreu com o Fox, da Volkswagen, e o que pode vir a ocorrer com o Stilo, da Fiat.
O recall do Fox, anunciado no início do mês, foi feito depois que o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, abriu processo administrativo contra a Volks. Por meses, foram relatados pela imprensa casos de oito pessoas que tiveram parte dos dedos das mãos decepada após tentar baixar o banco traseiro do porta-malas.
Diante da repercussão dos acidentes, o DPDC apressou um acordo com a montadora, que resultou no recall de 293 mil modelos Fox para a instalação de uma nova peça no banco, eliminando a argola que provocou os ferimentos. Donos de outros 218 mil modelos estão sendo convidados a comparecer às revendas para esclarecimentos, num total de 511 mil carros.
"Espero que isso sirva de lição para todas as empresas que desrespeitam os direitos do consumidor", disse recentemente o químico Gustavo Takao Funada, um dos primeiros a sofrer acidente com o banco do Fox.
A Volks pagou R$ 3 milhões a um fundo do governo, valor equivalente à multa máxima aplicada pelo DPDC em casos de condenação por colocar em risco a vida de consumidores.
Acidentes envolvendo o modelo Fiat Stilo começaram a vir à tona recentemente. Há relatos de acidentes em que uma das rodas traseiras se solta com o carro em movimento. Há pelo menos uma vítima fatal em um dos acidentes, segundo denúncias de consumidores.
A Fiat alega não se tratar de defeito no veículo. Diz ter laudos comprovando que as rodas se soltaram após sofrerem forte impacto. Na sexta-feira, o DPDC abriu processo administrativo para verificar os casos. Se for comprovada falha nos carros, a Fiat terá de fazer o recall e poderá ser multada em até R$ 3 milhões.
Para Rodolfo Rizzotto, responsável pelo site www.estradas.com.br, o número de recalls seria maior se houvesse investigações independentes de falhas em veículos. "O DPDC só funciona a reboque da mídia. Só adota medidas após repercussões na imprensa."
A Volks é a segunda montadora no País com maior número de recalls. Dos 6,2 milhões de veículos envolvidos em convocações nos últimos 15 anos, 1,48 milhão são da marca. A Fiat é a terceira, com 785,8 mil. A campeã é a General Motors, com 2,27 milhões de carros. Apenas um deles, realizado em 2000, envolveu mais de 1 milhão de modelos Corsa.
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