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Usinas brasileiras fecham contrato de mais de R$ 100 milhões para enviar etanol a empresa sueca

25/06 - 14:25 - Valor Online

SÃO PAULO - Um grupo de quatro usinas brasileiras anunciou hoje o fechamento de um contrato para a venda de 115 milhões de litros de etanol para a Suécia. O acordo foi costurado entre as usinas Cosan, Alcoeste, Guarani e Nova América e a empresa sueca Sekab, dona de cerca de 90% do mercado de etanol para utilização em veículos no país europeu. O primeiro embarque do produto já foi realizado na semana passada.

O valor do contrato não foi oficialmente divulgado, porém gira em torno de R$ 107 milhões. O valor considera o preço médio de exportação do etanol brasileiro, de R$ 0,85 por litro, mais um prêmio de 5% a 10%, que foi cobrado no contrato com os suecos.

O valor adicional se refere ao nível de pureza do álcool embarcado para Suécia, que é um pouco maior que o do produto enviado a outros destinos, e que demanda uma infra-estrutura específica.

Além disso, os suecos só aceitaram comprar o etanol brasileiro após todas as comprovações de sua sustentabilidade, como inexistência de trabalho infantil e escravo, bem como de desmatamento ilegal.

A Suécia é um dos países mais ativos no processo de substituição de combustíveis fósseis por renováveis na Europa. Segundo o vice-presidente da Sekab, Anders Frediksson, a Suécia deve consumir neste ano 800 milhões de litros de etanol, sendo 400 milhões de litros importados do Brasil.

Desse total, 200 milhões de litros são para o mercado de veículos flex. Já são 100 mil unidades desse tipo no país, o que representa 25% da produção nacional de veículos. Com um aumento gradual do uso do etanol, a idéia é que o consumo total do país esteja em 1,2 bilhão de litros em 2015.

Diferentemente do que ocorre no Brasil, os veículos bi-combustíveis da Suécia utilizam o etanol tipo E-85, que contém 85% de etanol e 15% de gasolina. Devido a condições especiais conquistadas pela Sekab, o etanol embarcado especificamente para a produção do E-85 tem tarifa de importação de 0,03 de euro por litro, contra os 0,19 de euro por litro praticado para as demais variações e usos do etanol na União Européia.

A Europa ainda oferece muita resistência ao etanol brasileiro, principalmente por conta das discussões sobre a alta de preços dos alimentos. Frediksson, entretanto, sai em defesa do produto fabricado por aqui: Sabemos que muitas acusações são exageradas e que muitas são falsas. Sabemos que o etanol do Brasil é limpo e sustentável, disse o executivo.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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