20/06 - 13:37 - Agência Estado
Em busca de combustível para tirar do papel até oito usinas nucleares previstas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) até 2030, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) anunciou ontem que a Galvani Mineração será a primeira empresa privada a participar do processo de exploração de urânio no País. De acordo com as regras da concorrência, a mineradora, por meio de um consórcio, fará a lavra do urânio da reserva de Santa Quitéria (CE), onde o mineral é encontrado associado a fosfato.
Dessa forma, a venda de fosfato caberá à Galvani, enquanto o urânio terá uso exclusivo da INB.
De acordo com o presidente da INB, Alfredo Tranjan Filho, os investimentos do projeto ficarão a cargo da Galvani. Em contrapartida, a INB cede os direitos minerários do depósito, estimado em 80 mil toneladas de urânio e 9 milhões de toneladas de fosfato. "A Galvani ficará responsável por todo o investimento. Serão desembolsados US$ 342 milhões para a produção do fosfato e outros US$ 35 milhões para a produção de urânio", afirmou o executivo.
A expectativa da INB é de que a exploração tenha início em 2014 e atinja seu pico no ano seguinte, quando deverão ser lavradas 240 mil toneladas de fosfato/ano e 1,5 mil toneladas de urânio/ano. O volume, segundo o presidente da INB, seria suficiente para atender à demanda das usinas de Angra 1, de 170 toneladas a cada 14 meses, de Angra 2 e da futura Angra 3, de 270 toneladas cada uma em intervalos de 14 meses.
Para Trajan Filho, as licenças ambientais podem levar até um ano e meio para serem liberadas. Ele frisou, ainda, que não há prazo para a concessão de lavra, pois a operação da Galvani se dará por meio de um consórcio com a INB. "O contrato expõe direitos e deveres de ambas as partes. Não há prazo de concessão porque a INB detém todos os direitos sobre a área", acrescenta o executivo.
A companhia, que concorreu com a multinacional Bunge e a Vale, foi escolhida pela INB após oito meses de análises. A INB já estuda outras parcerias em outros dois depósitos: Rio Cristalino (PA) e Pitinga (AM).
O presidente da INB defende que não há monopólio legal para a exploração de urânio no País. "A INB, em sua lei de criação, tem como permissão criar subsidiárias, associações e convênios desde que possua a maioria das ações. Em locais onde a reserva é apenas de urânio, a utilização do produto é feita por nós e os acionistas ficam com o retorno financeiro da operação", explica Tranjan Filho.
Tranjan Filho voltou a afirmar que a INB tem como meta fazer, até 2015, a conversão do urânio no País. Isso permitiria ao Brasil dominar o ciclo completo da geração nuclear.
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